A história que saiu da gaveta

04/02/2026 17:36

Antes de circular nos corredores do poder ou ganhar eco em redes sociais, a denúncia fez um caminho mais curto e mais silencioso. Segundo fontes ouvidas pela Gazeta do Paraná, a representação envolvendo a ex-diretora administrativa da Companhia de Saneamento do Paraná, Priscila Marchini Brunetta, hoje executiva da Ambiental Paraná, não foi distribuída à imprensa em geral nem disparada em massa como costuma acontecer com dossiês anônimos. Pelo contrário. Teria sido encaminhada, inicialmente, apenas a uma unidade do Ministério Público, em Ponta Grossa. E ali teria parado. De acordo com os relatos, o material foi recebido, passou por avaliação preliminar e não avançou para investigação formal. Não virou inquérito. Não gerou diligência. Não saiu do papel. Sem barulho, sem explicação pública. Só depois disso a denúncia chegou — exclusivamente — à redação da Gazeta. Diante do teor das informações, que envolvem contratos bilionários de saneamento, possível conflito de interesses e a migração de uma ex-dirigente da estatal para a concessionária privada do mesmo setor, a Gazeta do Paraná decidiu fazer o que se espera do jornalismo: apurar. Se o caso foi arquivado cedo demais ou se faltaram elementos, isso precisa ser esclarecido. Porque, quando cifras públicas dessa dimensão entram em jogo, silêncio institucional nunca é resposta suficiente. A história agora sai da gaveta e vai para a rua.