Recado atravessado

04/02/2026 00:56

O líder do governo na Assembleia, Hussein Bakri, resolveu subir o tom ao rebater críticas da oposição sobre o Banco Master. Em vez de números ou explicações, preferiu algo que soou mais como aviso. Disparou da tribuna: “Se nós tivermos que responder, enfrentar, eu já avisei ontem, não vai ser bom para ninguém. Do jeito que vier, vai. Talvez mais forte.” A frase pegou mal. Porque, convenhamos, isso não é exatamente linguagem de debate legislativo. Parece mais recado de bastidor dito no microfone aberto. O que significa “não vai ser bom para ninguém”? Responder como? Com fatos? Documentos? Ou na base do contra-ataque político? Quando líder fala em tom de ultimato, a dúvida é inevitável: estava argumentando… ou intimidando? Se era força de expressão, soou exagerada. Se não era, pior ainda. Em plenário, quem promete reação “mais forte” geralmente não está tentando convencer. Está tentando enquadrar. E aí o debate vira outra coisa.