Trégua, mas nem tanto
03/02/2026 14:33
A oposição a Lula decidiu tentar algo inovador: ficar sem brigar em público. Pelo menos no primeiro turno. Flávio Bolsonaro e figuras do PSD combinam uma espécie de pacto de civilidade eleitoral — nada de ataques frontais entre si, nada de cotoveladas explícitas, nada de “inimigo interno”. Um raro momento em que a política brasileira resolve falar baixo.
Não é união, claro. É mais parecido com aquelas reuniões de família em que todos prometem “não tocar naquele assunto”. Ninguém acredita muito que vai dar certo, mas todo mundo finge maturidade para evitar o constrangimento logo na entrada. O combinado é simples: cada um faz sua campanha, sorri para a câmera e guarda as críticas na gaveta — por enquanto.
A tal trégua, no fundo, é menos um pacto político e mais um acordo de convivência provisória: ninguém solta a mão de ninguém, desde que não precise apertar demais. O barulho fica para depois. Afinal, na política brasileira, todo mundo sabe: o primeiro turno é educado; o segundo é quando a sinceridade aparece.