Entre o voto e o perdão

02/02/2026 18:30

Quando Maurício Requião Filho sugeriu que se aplicasse “um pensamento um pouco mais cristão”, não foi força de expressão. O deputado fez, em plenário, uma leitura quase teológica da política: há o pecado original — votar a favor de um modelo agora criticado —, a confissão pública do erro e, só então, a possibilidade do perdão. Não foi exatamente um apelo à conciliação, mas uma cobrança elegante. Quem mudou de posição precisa admitir que errou, que foi enganado ou que se deixou convencer. Sem isso, não há redenção política. A fala expôs algo incômodo: no Parlamento, mudar de ideia é permitido; fingir que nunca teve ideia alguma, não. E o cristianismo invocado ali não era o da indulgência fácil, mas o da penitência antes da absolvição.