Internar sem ter onde

02/02/2026 18:20

No fim da sessão da Assembleia Legislativa do Paraná, quando a maioria já pensava no relógio, o deputado Ney Leprevost anunciou um pacote de dez projetos de lei. Entre eles, um chamou atenção: parâmetros para internação involuntária de dependentes químicos em situação de rua. O gesto veio carregado de urgência moral — salvar vidas, proteger a sociedade. Bastou, porém, a fala seguinte para o entusiasmo perder o chão: não há vagas nem para quem quer se internar voluntariamente. Ali estava o bastidor inteiro. A política oferecendo o remédio antes de montar o hospital. A lei aparece como solução rápida; a estrutura, como promessa distante. No papel, resolve. Na realidade, falta leito. E quando a solução chega antes do problema, o risco é sempre o mesmo: virar discurso para ontem e frustração para amanhã.