Ninguém é pai do pedágio

02/02/2026 18:17

Na sessão de abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa do Paraná, o pedágio virou um curioso caso de filiação negada. Todos são contra, todos se dizem surpresos, todos juram que jamais imaginaram pórticos fora das praças. O detalhe inconveniente é que os pórticos já estão de pé — e alguns, instalados antes mesmo da assinatura do contrato. A culpa, como de praxe, ganhou endereço em Brasília e sobrenome técnico: Agência Nacional de Transportes Terrestres. O governo estadual diz que é contra, mas só depois que o desgaste apareceu. O governador Ratinho Júnior é citado, defendido, atacado — e permanece ausente. No plenário, sobrou até indulgência cristã para os arrependidos tardios. Faltou apenas alguém reconhecer a paternidade. O pedágio segue órfão, mas a conta já tem endereço certo: o bolso do usuário.