Plano antes do voto
28/01/2026 16:30
Ao anunciar que “já começou a desenhar um novo plano de governo”, Guto Silva antecipa o discurso eleitoral ainda no exercício do cargo, embora já tenha data para sair: abril. A desincompatibilização está no calendário; a campanha, no vocabulário. O conteúdo do plano, contudo, pouco surpreende. Continuidade, infraestrutura, escuta ativa, jornada longa — o repertório clássico de quem prefere falar de método para não falar de resultados. O “novo” surge como rótulo conveniente, não como ruptura com o ciclo que se encerra. Há também um detalhe que o discurso evita: nas pesquisas de intenção de voto, Guto aparece com desempenho medíocre, oscilando em torno de pouco mais de 5%, longe de qualquer posição competitiva. Talvez por isso a pressa em desenhar planos e alongar processos, enquanto os números seguem curtos. O movimento é transparente. Usa-se o cargo até abril para pavimentar discurso, ocupar espaço e testar viabilidade. A questão que permanece é simples: plano há; voto, por enquanto, não.