Voluntariado em expediente
24/01/2026 08:47
Quem acompanhou o vídeo divulgado pelo vereador Édson Souza encontrou um daqueles episódios típicos da política local em que o discurso anda um pouco mais rápido que a realidade. A gravação ocorre durante uma visita a moradores que cobram, há tempos, obras de asfalto em Cascavel. Mas o assunto logo muda.
Souza comenta declarações do vereador Fão sobre atos políticos da direita, descritos como movimentos “voluntários”, com açaí, picanha e participação espontânea, sem uso de dinheiro público. Para ilustrar o ponto, o vídeo recupera um trecho do programa do Pastor Edson, no qual Fão confirma que seus assessores o acompanham fora do gabinete, que são remunerados para isso e que as ausências não geram desconto salarial.
A cena chama atenção menos pelo embate e mais pelo contraste. De um lado, o discurso do voluntariado. De outro, a admissão de que há assessores pagos, em horário de trabalho, acompanhando o parlamentar. Tudo dito com naturalidade, como se não houvesse tensão entre uma coisa e outra.
Souza apenas aponta o detalhe e segue o vídeo. Não levanta a voz, não conclama investigação. Observa. O restante fica por conta de quem assiste — e percebe que, na política, às vezes o debate não está no açaí, nem na picanha, mas no expediente.