Sanepar: resquícios do poder

23/01/2026 17:18

Rodrigo Picinin, presidente do Saemac, reagiu aos áudios vazados lembrando que, no Brasil, investigações nem sempre significam consequências. Ao comentar o material que ressuscita a Operação Ductus, Picinin expôs a lógica seletiva que costuma imperar quando escândalos alcançam empresas públicas: para uns, a demissão; para outros, a promoção. Segundo o dirigente sindical, enquanto trabalhadores da Sanepar foram demitidos ou presos no rastro da investigação, a cúpula da época passou incólume. O então diretor-presidente Cláudio Stabile ganhou outro cargo em autarquia estadual. Já Priscila Brunetta, diretora administrativa à época, hoje ocupa posição estratégica justamente nas PPPs que ajudou a desenhar. Coincidência? O Brasil insiste em responder que sim. Picinin não economiza adjetivos ao lembrar o período: três anos de intolerância com a classe trabalhadora, portas fechadas ao diálogo e prejuízos acumulados. A mudança de diretoria, diz ele, alterou o clima interno - negociação voltou a existir, críticas passaram a ser ouvidas e avanços se tornaram possíveis. E faz questão de separar as coisas: a gestão atual, afirma, não tem relação com os escândalos que agora retornam ao noticiário. O recado final é político. O Saemac promete vigilância permanente para que “amigos do rei” não voltem a usar a Sanepar como extensão de carreira ou abrigo pós-escândalo. Uma empresa com mais de 60 anos, lembra Picinin, não pode ser maculada por quem passa… sobretudo quando passa ileso.