Quando o silêncio vira pânico

22/01/2026 12:42

O que se vê nos bastidores da investigação sobre o Banco Master não é surpresa, é sintoma. À medida que se aproximam os depoimentos marcados pela Polícia Federal, cresce o nervosismo entre os investigados e seus advogados. Pedido de adiamento aqui, reclamação de prazo ali, alegações de desconhecimento acolá. O roteiro é conhecido: quando a conta chega, instala-se o desespero. Os depoimentos previstos para os próximos dias colocam frente a frente ex-dirigentes, operadores e personagens centrais de um esquema que envolve fraudes financeiras, operações mal explicadas e uma tentativa de venda do banco que mais pareceu manobra de sobrevivência do que negócio legítimo. Não por acaso, a reação tem sido quase uníssona: correr contra o relógio para ganhar tempo. O argumento das defesas é previsível: falta de acesso pleno aos autos, notificações tardias, necessidade de “melhores condições” para depor. Tudo muito técnico, tudo muito jurídico. O problema é que o excesso de formalismo costuma aparecer apenas quando o investigado percebe que a narrativa confortável começa a ruir. Enquanto isso, a investigação avança, e o que era tratado como operação sofisticada passa a revelar contornos de improviso, risco sistêmico e potencial prejuízo em larga escala. O mercado observa, os correntistas aguardam e a sociedade assiste a mais um episódio em que a confiança no sistema financeiro é colocada à prova.