Crise anunciada, silêncio planejado
22/01/2026 10:34
O Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, não paralisou cirurgias eletivas por um acaso imprevisível. A falta de anestesistas decorre, sobretudo, de afastamentos legais - férias e licenças - somados à conhecida dificuldade de contratar esses profissionais. Tudo regular, tudo previsível. Justamente por isso, tudo evitável.
O problema não é o direito do médico ao descanso ou à licença. O problema é a ausência de planejamento para lidar com isso. Reduzir um plantão de quatro anestesistas para apenas um não é contingência: é aposta de alto risco. Cirurgias ficaram restritas às urgências, equipes estão sobrecarregadas e pacientes seguem à espera, sem horizonte.
A gestão pública parece surpresa com aquilo que estava no calendário. Férias não surgem do nada. Licenças não são fenômenos sobrenaturais. A pergunta que se impõe é simples e incômoda: faltou planejamento ou faltou prioridade?
O Ministério Público acompanha o caso e cobra providências. Resta saber se o poder público fará mais do que administrar a crise depois de instalada. Porque, em saúde, improviso não é virtude. É negligência.