Cargo político como pedágio
21/01/2026 13:04
O Gaeco de Guarapuava denunciou um ex-secretário municipal de Finanças de Marquinho por concussão e lavagem de dinheiro. Em português claro: segundo o Ministério Público, o sujeito usava o cargo para exigir propina de empresários que mantinham contratos com a prefeitura. Não era favor, não era “contribuição”: era cobrança.
A denúncia aponta sete crimes de concussão e um esquema para ocultar o dinheiro obtido ilegalmente. Entre 2021 e 2025, o patrimônio do ex-secretário teria crescido cerca de R$ 520 mil, enquanto os rendimentos declarados somaram pouco mais de R$ 220 mil. Matemática simples: a conta não fecha.
Para disfarçar a origem do dinheiro, teriam sido usados bens como veículos e gado, prática clássica de lavagem. O MP pede a condenação e a perda dos valores considerados incompatíveis com a renda lícita.
Nada de “caso isolado”, nada de “mal-entendido administrativo”. O que a denúncia descreve é o uso do Estado como instrumento de extorsão. Quando o secretário vira cobrador, a gestão pública deixa de ser governo e passa a ser pedágio.