Chantagem enquanto método

21/01/2026 10:05

Há padrões que não surgem do nada; se repetem. A chantagem, ao que tudo indica, teria deixado de ser exceção para virar método nos corredores do Palácio Iguaçu. Não se trata de um episódio isolado, mas de um modo de operar que aparece sempre que a política abandona a luz e prefere a pressão. O caso das cooperativas, com relatos de constrangimento explícito em busca de recursos, dialoga com um antecedente nada trivial. Áudios vazados revelaram recentemente que Cláudio Stabile teria chantageado o então presidente da Sanepar, Ratinho Junior, para manter-se no cargo em meio a escândalos envolvendo a companhia. O roteiro é conhecido: pressão privada, silêncio público, sobrevivência política. Quando a chantagem vira linguagem corrente, a institucionalidade perde o sotaque republicano. Campanha não pode se confundir com governo; gestão não pode ser refém de quem ameaça falar. Se os fatos se confirmarem, não estamos diante de ruídos de bastidor, mas de um problema estrutural: a naturalização da coação como instrumento de poder. Em democracias maduras, método importa tanto quanto resultado. E método baseado em chantagem cobra juros altos: da credibilidade, da legalidade e do futuro político de quem acha que isso passa impune. Não passa.