Chantagem às cooperativas

21/01/2026 10:01

Segundo relatos que circulam nos bastidores do agronegócio paranaense - apurados pelo sempre atento jornalista Valdir Cruz - emissários ligados ao secretário das Cidades, Guto Silva, teriam batido à porta de cooperativas em busca de “contribuições” para a campanha. O método, dizem, não primava exatamente pela sutileza institucional. Quando a política troca o convencimento pelo constrangimento, o nome disso não é articulação, é abuso. O episódio envolvendo a Cooperativa Lar é citado como exemplo de aquiescência a um pedido feito por Rodrigo Pina (popularmente conhecido como ProPina) figura descrita no Palácio Iguaçu como operador de confiança do secretário. Já na C. Vale, a história teria tomado outro rumo… e um rumo ruidoso. O presidente Alfredo Lang ficou indignado com a chantagem, reagiu de imediato, ameaçou chamar a imprensa para flagrar a pressão e expulsou o interlocutor da sede. Indignação não é detalhe: é o ponto central do episódio, porque revela que a linha foi cruzada. Em política, o problema raramente é o barulho, é o rastro. Se há pressão sobre cooperativas, o dever público é apurar, esclarecer e separar campanha de governo. Do contrário, a conta chega: à candidatura que se pretende viável e ao projeto maior que a sustenta, inclusive o sonho presidencial do governador Ratinho Junior. Democracia não combina com coação; combina com transparência. E isso não é opinião, é regra básica do jogo.