Fachin, o conciliador

20/01/2026 18:01

Quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que seus augustos membros também merecem descanso anual, não previa que certas crises fariam férias bem menos prazerosas. Pois o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, percebeu na prática: o recesso ficou curto. Fachin retornou a Brasília na noite de segunda-feira (19), antes mesmo do fim oficial das férias, para “procurar ministros” e tentar, digamos, conter o desgaste público que ronda a Corte mais alta do país — um desgaste turbinado pelas torrentes de notícias e suspeitas envolvendo a chamada crise Banco Master. Oficialmente, o presidente do STF não anunciou uma “quebra de recesso” tão enfática. Mas, nos bastidores, a mensagem é clara: se não é possível botar panos quentes, vamos ao menos tentar não apanhar demais nas ruas e nas manchetes. Fachin, dizem aliados e interlocutores, afirmou que “o momento é delicado” e exige sua presença em Brasília — o que, traduzido para o noticiário político, soa quase como uma convocação de guerra institucional. Durante esta terça-feira (20), o ministro seguirá para São Luís (MA) para encontro com o colega Flávio Dino, um dos últimos a serem ouvidos nessa espécie de “expedição de conciliação”. Antes, Fachin já teria conversado com praticamente todos os membros do Supremo: desde André Mendonça e Cármen Lúcia até Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques, Cristiano Zanin e até o próprio relator do caso Master, Dias Toffoli — justamente o epicentro da controvérsia. O pano de fundo desse retorno apressado é a fúria midiática e institucional desencadeada pelas decisões de Toffoli no inquérito sigiloso que apura supostas irregularidades e fraudes financeiras envolvendo o Banco Master — um quadro que já teria mobilizado senadores a pleitearem uma CPI paralela. Tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República externaram descontentamento com certos encaminhamentos da investigação, ampliando a tensão entre Poderes. Se Fachin esperava que uma rodada de conversas informais bastasse para acalmar os espíritos, está cedo para dizer. O presidente do STF agora se arrisca a virar peça central de um enredo que mais parece novela institucional: férias interrompidas, ministros reunidos em Brasília, discursos sobre “diálogo” e uma Corte que tenta, a todo custo, contornar a crise sem perder autoridade — e sem admitir que está em crise. O recesso oficial só termina em 2 de fevereiro. Resta saber: até lá, haverá mais encontros ou mais desgaste? No tabuleiro do Judiciário, os peões avançam — mas ninguém sabe bem para onde.