Terceirização sob suspeita

20/01/2026 17:55

O Ministério Público do Paraná resolveu fazer o básico — o que, no Brasil, já soa quase como um gesto revolucionário: olhar para o dinheiro público. Foi instaurado o Inquérito Civil nº MPPR-0112.25.000865-6 para apurar possíveis remunerações indevidas pagas por meio da empresa Hudema, contratada de forma terceirizada pelo Pitanga. A pergunta que move a investigação é singela e incômoda: quem recebeu, quanto recebeu e por quê. O procedimento, conduzido pela promotora Amanda Ribeiro dos Santos, tenta separar o que é prestação de serviço do que pode ser atalho para driblar regras, inflar pagamentos ou terceirizar responsabilidades que a lei não autoriza. Constam como representantes Mário Sérgio de Oliveira e André Christian Comerlato. Nada está condenado, registre-se. Mas o simples fato de o MP precisar perguntar se o pagamento era regular já diz muito. Em tempos de criatividade contábil, quando a terceirização vira biombo e o erário, figurante, investigar não é excesso — é obrigação.