Sanepar: mais irregularidades
20/01/2026 17:49
Em mais um movimento que expõe o cenário tortuoso das contratações públicas no Paraná, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) decidiu — pasmem — suspender o Pregão Eletrônico nº 324/2025, conduzido pela estatal Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), destinado à limpeza de estações de tratamento de esgoto em Curitiba. A decisão cautelar se dá em meio a dúvidas sobre a legalidade e a adequação das regras do edital, que colocaria à prova a competitividade e a lisura de um processo cujo valor potencial — embora não divulgado com clareza — gira em torno de cifras que fariam qualquer gestor suar frio em tempos de aperto fiscal. Não se trata de um detalhe trivial: estamos falando de serviços essenciais de saneamento básico em uma capital que insiste em disputar com o caos urbano. A Sanepar, empresa de economia mista com forte influência na vida pública e econômica do Estado, já tem histórico de disputas em pregões e audiências com o TCE por falhas e exigências questionáveis em editais. Para o Tribunal, a cautelar é uma arma preventiva — uma espécie de “freio de emergência” em um volante que, em mais de uma ocasião, tem desviado para o acostamento das regras claras de compras públicas. A razão formal da suspensão ainda não foi transformada em transparência total ao público, mas a medida ressalta um ponto fundamental: contratos milionários não podem ser entregues à sorte ou ao compadrio sob o manto confortável do “processo eletrônico”. Até que todos os indícios de irregularidade sejam esclarecidos, o pregão — e, com ele, a perspectiva de melhorias em estações de tratamento — ficará no limbo. Uma ironia fina para uma área que, literalmente, trata do que descartamos e não vemos.