O expediente da família

17/01/2026 11:50

A internet tem dessas imprudências pedagógicas. Um vídeo surge, dura pouco e desaparece, mas ensina muito. Nele, Nathália Kasakevitch e Luna, filha do prefeito de Foz do Iguaçu, General Silva e Luna, aparece confortavelmente instalada na cadeira do pai, em reunião administrativa, no horário de expediente, acompanhada por servidoras municipais. Não parece visita. Parece rotina. O curioso é que, nos registros oficiais, Nathália não existe. Não tem cargo, não tem portaria, não tem função. Ainda assim, tem mesa, agenda, reuniões e trânsito interno. Uma espécie de cargo metafísico: não está no Diário Oficial, mas comparece ao trabalho. Antes que alguém grite “perseguição”, convém lembrar: ninguém questiona afeto familiar. O problema começa quando o afeto passa a frequentar reuniões administrativas. Aí já não é laço de sangue, é laço com a máquina pública. O vídeo foi apagado rapidamente, como se o problema fosse a imagem, não a cena. Mas administração pública não funciona no modo stories: o que some em 24 horas continua exigindo explicação. Transparência é simples. Basta responder a pergunta óbvia: qual é, exatamente, o papel exercido ali?