Receita de olho no caixa de Guto

17/01/2026 10:37

Depois de a Gazeta do Paraná divulgar áudios e denúncias de que Guto Silva teria comprado, em dinheiro vivo, um imóvel milionário no bairro Santa Felicidade, em Curitiba, a reação dos leitores foi imediata. Desde então, a redação passou a receber uma série de mensagens apontando que o montante utilizado na aquisição da casa teria origem em esquemas de propina ligados a compras da Polícia. A reportagem está apurando as informações com rigor, mas o volume e a gravidade das denúncias chamam atenção. Não se trata de boato isolado nem de ruído de bastidor: são acusações que, se confirmadas, configuram um escândalo de grandes proporções. Ainda assim, até o momento, Guto Silva segue em silêncio - um silêncio que só contribui para engrossar a desconfiança. A Gazeta do Paraná mantém, como sempre, espaço aberto para manifestação e defesa. Mas é preciso dizer com clareza: quando as denúncias ganham corpo, a ausência de explicações públicas deixa de ser estratégia e passa a ser problema. Procurada, uma fonte da Receita Federal confirmou que o órgão já tem ciência não apenas desse episódio, mas também de informações envolvendo outro imóvel, supostamente adquirido em Guaratuba por cerca de R$ 14 milhões. Por ora, são denúncias sob investigação. Nada está concluído. Mas a história política recente do Paraná mostra que fingir que nada está acontecendo costuma sair caro. O desgaste não costuma parar no denunciado, ele se espalha, contamina aliados e, cedo ou tarde, alcança o Palácio (ou seja, o governador). O roteiro é conhecido. E o caso que ficou marcado como “Jaime Dez Por Cento” é prova de que, quando a sangria não é contida, ela acaba respingando no governo inteiro.