“Fale Agora” leva o FOXP2 do laboratório ao palco para investigar fala, silêncio e escuta
Inspirado no gene responsável pela fala, espetáculo gratuito mistura ciência e filosofia para refletir sobre linguagem, silêncio e poder
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O novo solo científico-filosófico é escrito e dirigido por Pagu Leal, e busca questionar o que nos torna capazes de falar, e o que acontece quando uma pessoa tem voz, mas não encontra quem a escute. A montagem será interpretada por Marrara Mara, e parte de uma descoberta sobre o FOXP2, gene relacionado à fala e à linguagem, para construir uma investigação cênica sobre evolução, comunicação, silêncio e poder.
A estreia está programada para os dias 19, 20 e 21 de setembro, e faz parte da programação do Festival da Primavera, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba. O espetáculo terá quatro apresentações gratuitas no Centro Cultural Espaço de Arte e conta com 35 lugares sujeitos a lotação.
Gene e Linguagem
A ideia do solo surgiu quando Pagu Leal se informou sobre o FOXP2 em um livro de biologia, e a descoberta abriu então, uma pesquisa sobre a capacidade humana de linguagem e os processos evolutivos que permitiram o desenvolvimento de formas tão complexas de comunicação.
A fala não acontece apenas por causa de um único elemento. A genética, cérebro, língua, pregas vocais e outros elementos são responsáveis por possibilitar a fala. Em cena, as questões científicas se juntam a perguntas filosóficas e cenários concretos em que falar pode ser uma experiência sensível, de vulnerabilidade, disputa e resistência. ““Tudo começou com um livro que me fez perguntar o que nos torna humanos: o que nos permite falar do passado, projetar o futuro e criar poesia? A pesquisa me levou ao FOXP2, um gene relacionado à capacidade humana de falar. A partir daí, fui entendendo que a fala é resultado de uma série de processos evolutivos que envolvem genética, cérebro, língua, boca, pregas vocais e toda uma complexidade que a peça investiga em cena”, explica Pagu Leal.
Três Vozes
A atriz e bailarina Marrara Mara será responsável por construir sozinha no palco, três figuras que atravessam diferentes dimensões da fala. Entre elas está uma professora e cientista fascinada pelo corpo humano, pela evolução e pelos mecanismos que permitem transformar ideias em linguagem. Uma atriz que vai até a delegacia prestar uma queixa e enfrenta as dificuldades de ter que falar sobre o que aconteceu e ser devidamente ouvida. E a Narradora/Cassandra, responsável por fazer perguntas, estabelecer conexões e deslocar a narrativa entre diferentes tempos e histórias.
A construção das personagens coloca o corpo e a voz no centro da cena. Como dançarina e atriz, Marrara reúne sua experiência nas duas linguagens para sustentar um solo que transita entre informação científica, ficção, humor, memória e questões políticas. “Na peça, interpreto três vozes: uma cientista, uma atriz e uma narradora. A cientista me levou para um universo muito diferente do meu, de pesquisa sobre genética e evolução da linguagem, e foi uma delícia descobrir tudo isso a partir do texto da Pagu. Já a atriz, que vai a uma delegacia prestar uma queixa, toca em um lugar muito sensível para mim e me faz pensar na dificuldade que tantas mulheres enfrentam para conseguir falar sobre situações de violência. E a narradora é quem faz as perguntas difíceis e liga todos esses pontos. É uma viagem entre passado, presente e futuro que estou muito curiosa para ver como vai reverberar nas pessoas”, conta a artista.
A pesquisa científica encontra, assim, uma questão histórica: se a linguagem possibilitou à humanidade contar histórias, expressar sentimentos, fazer acordos, falar sobre aquilo que já aconteceu e imaginar o que ainda não aconteceu, por que tantas vozes continuam sendo interrompidas, desacreditadas ou silenciadas? “Se de um lado a humanidade pode ser pensada a partir da nossa capacidade de falar, expressar ideias e sentimentos, contar histórias e fazer acordos, por outro, essa mesma capacidade também produziu silenciamentos. Ao longo da História, muitas vozes foram caladas em detrimento de uma voz única, de um discurso que se impôs. É nesse paradoxo que a peça se coloca: o que significa ter voz e, ainda assim, não ser ouvido?”, indaga Pagu Leal.
A encenação reúne diferentes linguagens artísticas para construir esse trânsito entre ciência, pensamento e experiência. Nadja Naira assina a luz; Ane Adade, a direção de movimento; Gui Almeida, cenário e figurino; e Tafnes Taborda, a trilha sonora original e as paisagens sonoras. A produção é de Cassia Hauari e Thaíse Hauari, com produção de conteúdo de Juliana Zaguobinski, design e identidade visual de Johnny Leal e produção executiva da Sociedade Poética.
SERVIÇO
Espetáculo - Fale Agora
Centro Cultural Espaço de Arte: Rua Alberto Folloni, 1534 - Ahú
Dias: 19 de setembro (sab), 18h e 20h | 20 de setembro (dom), 17h e 19h - *17h - com tradução para Libras | 21 de setembro (seg), 20h . Ingressos: Entrada gratuita, 35 lugares, sujeitos à lotação. Distribuição 1 hora antes de cada apresentação na bilheteria. *O Centro Cultural Espaço de Arte também conta com café-bistrô, com mesas, comidas e bebidas, aberto ao público.
Informações: @faleagorasolo
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