Manchester City é considerado culpado nas 115 acusações da Premier League
Comissão Independente concluiu que clube violou regras financeiras durante nove temporadas e cometeu infrações na investigação; City nega acusações e afirma que vai recorrer da decisão
O Manchester City foi considerado culpado das 115 acusações de irregularidades financeiras investigadas pela Premier League desde 2018. A decisão foi divulgada nesta terça-feira (29) pela própria liga, após a análise do caso por uma Comissão Independente.
Segundo a Premier League, o clube inglês realizou acordos comerciais simulados, apresentou demonstrações financeiras incorretas e ocultou a real situação de suas finanças de auditores e órgãos reguladores do futebol.
A Comissão também concluiu que o Manchester City ultrapassou de forma significativa os limites de gastos estabelecidos pela Premier League e pela Uefa. Além disso, o clube teria cometido várias violações relacionadas ao dever de cooperação e de boa-fé durante a investigação.
A decisão ainda não definiu a punição ao clube. Uma nova audiência será realizada para determinar quais sanções serão aplicadas ao Manchester City. Entre as possibilidades estão multa, perda de pontos e outras punições esportivas.
O clube tem até a próxima sexta-feira (2) para recorrer das conclusões da Comissão Independente. Em comunicado, o City afirmou que utilizará todas as vias de recurso disponíveis para tentar reverter a decisão.
O que a Premier League concluiu
De acordo com a decisão divulgada pela Premier League, as infrações ocorreram ao longo de nove temporadas, entre 2009/10 e 2017/18.
A Comissão concluiu que o Manchester City celebrou contratos simulados com parceiros comerciais. Segundo a entidade, esses acordos não refletiam a verdadeira natureza das negociações e foram utilizados para inflar artificialmente as receitas do clube e reduzir seus custos.
A investigação também apontou que o clube apresentou demonstrações financeiras incorretas e não informou aos auditores e aos órgãos reguladores a situação real de suas finanças.
Outro ponto analisado foi o cumprimento dos limites financeiros. A Comissão concluiu que o City ultrapassou de forma significativa os valores permitidos pelas regras da Premier League e da Uefa.
Além das acusações financeiras, o clube também foi considerado culpado pela maioria das infrações relacionadas à cooperação com a investigação. Das quatro violações alegadas nesse ponto, três foram confirmadas.
Como funcionava o esquema apontado pela Comissão
A Premier League afirmou que o Manchester City estruturou acordos comerciais simulados com diferentes patrocinadores durante o período investigado.
Segundo a Comissão, esses contratos faziam parte de um esquema de financiamento disfarçado. As empresas envolvidas pagavam apenas uma parte dos valores de patrocínio previstos, enquanto o restante era financiado pela ADUG, Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd., proprietária do clube.
Outros acordos, também financiados pela ADUG, teriam sido utilizados para que o Manchester City registrasse despesas operacionais menores do que as efetivamente realizadas.
A Comissão também identificou um acordo circular envolvendo a Fordham, empresa que adquiriu os direitos de imagem de jogadores do clube e que, segundo a decisão, também era financiada pela ADUG.
De acordo com a conclusão da investigação, o objetivo desses acordos era inflar artificialmente as receitas e reduzir os custos do Manchester City em mais de 900 milhões de libras durante o período analisado. O valor equivale a cerca de R$ 6,219 bilhões.
A Comissão afirmou que os mecanismos fizeram com que o clube aparentasse estar dentro das regras financeiras.
Como consequência, segundo a entidade, o City apresentou demonstrações financeiras incorretas e ocultou de seus auditores e dos reguladores a verdadeira situação de suas contas.
A Comissão afirmou que, caso todos os acordos tivessem sido registrados corretamente, o Manchester City teria ultrapassado por uma margem muito significativa os limites de gastos da Premier League e da Uefa.
A conclusão publicada pela entidade aponta que o clube tinha a intenção de contornar as regras da Premier League.
City também é acusado de atrapalhar investigação
Além das questões financeiras, a Comissão Independente analisou a conduta do Manchester City durante os quatro anos de investigação conduzidos pela Premier League.
Segundo a decisão, o clube cometeu várias violações de seus deveres de cooperação e de boa-fé com a Liga.
A Comissão concluiu que o Manchester City realizou esforços coordenados para impedir e dificultar a investigação.
A Premier League iniciou a apuração contra o clube em dezembro de 2018. A denúncia formal foi apresentada em fevereiro de 2023, conforme as regras da competição.
A audiência da Comissão Independente durou 42 dias e foi encerrada em dezembro de 2024.
Premier League defende decisão
O diretor-executivo da Premier League, Richard Masters, afirmou que a decisão estabelece os fatos sobre o comportamento do Manchester City durante o período investigado.
Segundo Masters, o processo mostrou como o clube teria violado sistematicamente as regras da competição durante quase uma década.
O dirigente também afirmou que a decisão valida a escolha da Premier League de levar o caso adiante e destacou a responsabilidade da entidade em garantir o cumprimento das regras aprovadas pelos próprios clubes.
Masters classificou o processo disciplinar e a decisão como os mais significativos da história da Premier League.
Apesar disso, ele ressaltou que ainda existem etapas a serem concluídas, principalmente a definição da punição que será aplicada ao Manchester City.
Manchester City nega acusações e promete recurso
O Manchester City contestou a decisão divulgada pela Premier League.
Em comunicado, o clube afirmou estar decepcionado e surpreso com o parecer da Comissão. O City também declarou que é inocente das acusações e que possui provas para sustentar sua posição no processo.
O clube afirmou ainda que pretende atuar em todos os fóruns regulatórios e jurídicos necessários.
Segundo o Manchester City, o processo continua em andamento e existem pontos importantes que ainda não foram concluídos. A equipe também alegou que a decisão contém erros materiais de direito, de princípio e de fato.
O clube afirmou que respeitou o devido processo durante os oito anos de duração do caso e que agora utilizará todas as vias de recurso disponíveis.
O Manchester City também explicou que está limitado sobre o que pode divulgar neste momento, já que parte do processo continua sob sigilo.
Quais podem ser as punições?
A definição das sanções será feita em uma nova audiência da Comissão Independente.
Entre as punições previstas pelas regras da Premier League estão multas, perda de pontos e outras sanções esportivas.
A audiência sobre as penalidades será privada e confidencial até que a divulgação seja autorizada pela própria Liga.
O Manchester City tem até sexta-feira, 2 de outubro, para recorrer das conclusões da Comissão Independente.
O Conselho da Premier League informou que pretende concluir o processo, incluindo eventuais recursos e a publicação das decisões, o mais rapidamente possível.
A decisão principal já foi publicada em uma versão editada para retirar informações consideradas sensíveis. A Premier League informou que pretende divulgar outros anexos quando isso for possível.
O processo permanece parcialmente confidencial. Neste momento, a Liga está autorizada a divulgar apenas uma versão editada do resumo das principais conclusões.
Próximos jogos do Manchester City
O Manchester City volta a campo no dia 11 de outubro, contra o Liverpool, fora de casa, pela Premier League. A partida está marcada para 12h30, no horário de Brasília, com transmissão pelo plano premium do Disney+.
Depois, o City enfrenta o PSG no dia 14 de outubro, às 16h, em casa, pela Champions League.
Na sequência, a equipe recebe o Ipswich no dia 17 de outubro, às 11h, novamente pela Premier League. A partida também terá transmissão pelo plano premium do Disney+.
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