Setembro/2026

Trigo acumula sete meses de alta no Paraná e saca já supera R$ 78

Valorização ocorre em plena colheita, enquanto excesso de chuva, doenças nas lavouras e produtividade abaixo do esperado aumentam a preocupação dos produtores

Por Gazeta do Paraná

Trigo acumula sete meses de alta no Paraná e saca já supera R$ 78 Créditos: Gilson Abreu/Arquivo AEN

O preço do trigo mantém uma trajetória de valorização no Paraná e caminha para completar o sétimo mês consecutivo de alta. Em setembro, a saca já é negociada acima dos R$ 78 em diferentes regiões do Estado, em um movimento que chama atenção justamente por ocorrer durante o avanço da colheita, período em que o aumento da oferta normalmente exerce pressão sobre as cotações.

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, mostram que a colheita avançou rapidamente na última semana, passando de 5% para 20% da área estimada. O ritmo supera o observado no mesmo período da safra passada, quando aproximadamente 12% das lavouras haviam sido colhidas.

A aceleração dos trabalhos está relacionada às temperaturas mais elevadas e à tentativa dos agricultores de aproveitar os períodos de tempo firme antes da chegada de novas chuvas. Apesar do avanço da colheita, os primeiros resultados de produtividade têm ficado abaixo das expectativas.

 

Preço encosta nos R$ 80

A valorização do trigo ganhou força nos últimos meses. Em agosto, o preço médio ficou em R$ 74,90 por saca. Em setembro, grande parte das praças paranaenses já registra negócios a R$ 78 ou mais.

Levantamento de preços do Deral mostra que a média estadual no atacado chegou a R$ 79,02 por saca em 11 de setembro. No mercado físico, havia cotações de R$ 78 em municípios como Ubiratã, Marechal Cândido Rondon e Pato Branco, enquanto Castro registrava R$ 79,20.

O patamar atual também representa avanço expressivo na comparação anual. Em setembro do ano passado, o trigo era negociado, em média, a R$ 71,62 por saca. Se a média deste mês permanecer acima da registrada em agosto, será confirmado o sétimo mês consecutivo de valorização do cereal no Paraná.

Mesmo com a alta, a situação financeira do produtor permanece apertada. O custo variável calculado pelo Deral em agosto estava em R$ 77,18 por saca, praticamente no mesmo nível das cotações atuais. O preço mínimo estabelecido pelo governo federal para o trigo pão tipo 1 na Região Sul é de R$ 78,51.

Isso significa que a recuperação das cotações não necessariamente representa uma margem elevada para quem produz. Em muitas propriedades, o preço recebido apenas se aproxima dos custos variáveis da atividade.

 

Chuva preocupa

O comportamento do clima acrescenta incerteza à safra. Desde agosto, volumes elevados de chuva atingiram principalmente a metade sul do Paraná. No Sudoeste, as precipitações dificultaram inclusive a aplicação de fungicidas e favoreceram o avanço de doenças nas lavouras.

Entre os problemas registrados estão manchas foliares, giberela e brusone. Em algumas áreas já existem relatos de redução da produtividade, enquanto ventos fortes provocaram episódios pontuais de acamamento das plantas.

As temperaturas mais altas e as chuvas recorrentes também colocam o produtor diante de uma corrida contra o tempo. Cada período de estiagem passou a ser utilizado para retirar o cereal do campo com níveis adequados de umidade e reduzir o risco de perda de qualidade.

 

Oferta menor ajuda preços

Além das condições climáticas, a redução da área plantada em algumas regiões e o cenário internacional contribuíram para sustentar as cotações. A combinação ajuda a explicar por que os preços continuam avançando mesmo com a entrada da nova safra no mercado.

A próxima etapa da colheita será especialmente importante para determinar o tamanho efetivo das perdas. As máquinas começam a entrar justamente em regiões que enfrentaram volumes maiores e mais frequentes de chuva.

Por isso, embora a sequência de sete meses de valorização represente uma melhora importante para o produtor, o resultado econômico da safra ainda dependerá de dois fatores fundamentais: quanto trigo efetivamente será retirado das lavouras e qual será a qualidade do cereal que chegará ao mercado.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp