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Soja começa a ser plantada no Paraná sob ameaça de El Niño muito forte

Estado já tem 81 mil hectares semeados e plantio deve acelerar nos próximos dias; NOAA aponta mais de 90% de chance de fenômeno atingir intensidade muito forte, cenário que aumenta risco de excesso de chuva nas lavouras paranaenses

Por Gazeta do Paraná

Soja começa a ser plantada no Paraná sob ameaça de El Niño muito forte Créditos: Gilson Abreu/AEN

O Paraná inicia uma das etapas mais importantes da safra 2026/27 com um componente de preocupação vindo do Oceano Pacífico. Enquanto as máquinas começam a avançar sobre as lavouras de soja, as projeções climáticas indicam que o El Niño pode atingir intensidade muito forte justamente durante o desenvolvimento da nova safra.

O plantio começou de forma pontual nas regiões Norte, Noroeste e Oeste. Até quinta-feira (10), aproximadamente 81 mil hectares já haviam sido semeados, o equivalente a cerca de 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para a soja no Estado, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral). 

A tendência é de aceleração nas próximas semanas. O plantio foi liberado em parte do Paraná em 1º de setembro, chegou ao Sudoeste no dia 11 e será permitido nas áreas mais ao Sul a partir de 20 de setembro. Historicamente, porém, outubro concentra a maior parte da semeadura paranaense. 

O que diferencia esta temporada é o tamanho do risco climático. Em atualização divulgada na quinta-feira (10), o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, ligado à NOAA, informou que o El Niño está se fortalecendo e que existe mais de 90% de probabilidade de o episódio alcançar intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte, período que coincide com a primavera e o verão no Brasil. 

 

Alerta para o Paraná

Para o produtor paranaense, El Niño não significa necessariamente falta de chuva. O problema pode ser justamente o contrário.

Historicamente, episódios fortes do fenômeno estão associados ao aumento das precipitações no Paraná, especialmente durante a primavera e o início do verão. A tendência é de maior frequência de chuvas e possibilidade de volumes acima da média em diferentes regiões do Estado. 

Em junho, quando as projeções ainda indicavam uma probabilidade menor do que a atual, uma nota técnica conjunta da Defesa Civil do Paraná já alertava para possíveis impactos sobre a agricultura. Entre os riscos estavam encharcamento do solo, atrasos nas operações de plantio e colheita e aumento da incidência de doenças fúngicas nas lavouras. 

O cenário também favorece episódios meteorológicos severos. Chuvas intensas em curtos períodos, vendavais, descargas atmosféricas e granizo estão entre os eventos associados a episódios de El Niño forte ou muito forte no Paraná. 

 

Mais de 5,7 milhões de hectares

A dimensão da área destinada à soja aumenta o impacto econômico de qualquer alteração climática significativa. O Paraná deve cultivar aproximadamente 5,76 milhões de hectares da oleaginosa nesta temporada. 

Neste primeiro momento, as condições de umidade permitiram o avanço das máquinas em algumas áreas. O Deral trabalha com a perspectiva de intensificação do plantio a partir de 20 de setembro, desde que o clima permaneça favorável. 

A preocupação maior está nos meses seguintes. Chuvas regulares são fundamentais para a germinação e o desenvolvimento da soja, mas precipitações persistentes e excesso de umidade podem reduzir as janelas para aplicação de defensivos, favorecer doenças e dificultar operações no campo.

No Oeste do Paraná, onde o plantio começou mais cedo, produtores também enfrentam reflexos da safra anterior. O ciclo mais longo do milho safrinha atrasou parte da colheita e, consequentemente, operações de dessecação das áreas que agora recebem soja. 

Pacífico está cada vez mais quente

Os dados mais recentes ajudam a explicar por que o alerta aumentou. A NOAA registrou anomalia de 1,8°C acima da média na região Niño 3.4, uma das principais referências utilizadas para acompanhar o fenômeno. Em partes do Pacífico equatorial, as temperaturas da superfície do mar já superam em mais de 3°C os valores normais. 

Também foram detectadas anomalias superiores a 10°C em águas abaixo da superfície em determinadas áreas do Pacífico, indicando uma grande reserva de calor disponível para sustentar o fenômeno nos próximos meses. 

Assim, a safra paranaense começa diante de um paradoxo: existe expectativa de elevada produção, mas também um risco climático que ganhou força exatamente quando o plantio começa a avançar.

Para os produtores, as próximas semanas serão decisivas. A soja ainda ocupa uma pequena parcela dos 5,76 milhões de hectares projetados. À medida que outubro se aproxima e as máquinas entram de vez no campo, o comportamento das chuvas determinará se o El Niño será aliado da produtividade ou um dos principais obstáculos da safra 2026/27.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp