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Portal paranaense aposta em textos autorais em tempos de inteligência artificial

A Tramela reúne nove escritores de diferentes gerações, publica conteúdo diariamente e abre espaço para novos autores; projeto nasceu em Curitiba com a proposta de devolver protagonismo à escrita autoral

Por Gazeta do Paraná

Portal paranaense aposta em textos autorais em tempos de inteligência artificial Créditos: Divulgação

Em um ambiente digital cada vez mais ocupado por conteúdos produzidos em escala e textos gerados por inteligência artificial, um grupo de escritores paranaenses resolveu seguir na direção contrária. Criado em Curitiba, o portal literário A Tramela aposta exclusivamente na produção autoral e reúne nomes conhecidos da literatura local com representantes de uma nova geração de escritores.

O projeto estreou no fim de agosto e ganhou nova repercussão neste domingo (13), ao ser apresentado pela Cultura Brasil. A proposta é simples: publicar literatura todos os dias úteis e criar um endereço digital no qual o texto seja o protagonista.

Ao todo, nove escritores integram o grupo fixo. Estão no projeto José Carlos Fernandes, Luci Collin, Luís Henrique Pellanda e Marleth Silva, ao lado de Bruno Zermiani, Cristiano Castilho, Felippe Aníbal, Letícia W. Magalhães e Sandoval Matheus.

Cada autor publica a cada 15 dias. O resultado é uma programação de segunda a sexta-feira formada por crônicas, contos, resenhas, comentários e outros formatos literários.

 

Literatura contra o texto automático

Um dos elementos que ajudam a explicar o surgimento da Tramela está justamente na transformação provocada pela inteligência artificial. Na apresentação do projeto, os organizadores fazem uma defesa explícita do conteúdo inédito e autoral diante de um ambiente digital no qual a produção automatizada passou a ocupar cada vez mais espaço.

A escolha também aparece na própria identidade do portal. O projeto adotou um visual minimalista, desenvolvido pela equipe do Comitê de Cultura do Paraná, para reduzir distrações e concentrar a experiência do usuário na leitura.

A intenção é recuperar, no meio digital, algo que durante décadas esteve associado aos jornais: o encontro casual entre leitor e literatura. Crônicas publicadas em periódicos ajudaram a popularizar autores e serviram de porta de entrada para gerações de leitores.

Marleth Silva lembra justamente dessa experiência ao falar do projeto. Foi pelas crônicas publicadas no jornal comprado pelo pai que ela teve os primeiros contatos com Carlos Drummond de Andrade, antes mesmo de chegar à poesia do escritor.

 

Das ruas de Curitiba para a tela

A cidade também ocupa papel importante na proposta. Os autores pretendem transformar situações cotidianas, comportamentos, conversas e mudanças percebidas nas ruas em matéria-prima para os textos.

Bruno Zermiani, vencedor do Prêmio Paraná de Literatura com o livro Vira-lata, pretende experimentar ainda outro formato. Ele publicará no portal capítulos do romance no qual trabalha atualmente, recuperando no ambiente digital a lógica dos antigos folhetins, quando histórias eram entregues aos leitores aos poucos.

A Tramela não pretende, porém, permanecer restrita aos nove integrantes iniciais.

 

Porta aberta para novos escritores

Uma das principais apostas do projeto é a seção “Porta aberta”, criada especificamente para escritores que não integram o grupo fixo.

Interessados poderão encaminhar seus próprios textos, que passarão por uma curadoria. A previsão inicial é selecionar e publicar um novo autor por semana.

A iniciativa pode funcionar como vitrine para escritores ainda desconhecidos ou com pouca circulação editorial e, ao mesmo tempo, ampliar o número de vozes presentes no portal.

A ideia dos criadores é que a Tramela ultrapasse a condição de simples repositório digital e ajude a formar uma comunidade em torno da literatura produzida em Curitiba.

 

De onde veio o nome

Até o nome escolhido carrega uma brincadeira com a proposta.

“Tramela” é a antiga peça de madeira usada para fechar portas, geralmente girando em torno de um prego. No projeto literário, porém, os idealizadores dizem querer justamente o contrário: manter a porta aberta.

A palavra também ganhou popularmente outro significado, relacionado a alguém que fala muito, uma pessoa “tagarela”. É essa língua solta que o grupo pretende levar para a página em branco.

Além do próprio portal, os textos são distribuídos pelo Instagram e por um canal no WhatsApp, numa tentativa de fazer a literatura circular pelos mesmos ambientes digitais que hoje disputam diariamente a atenção dos leitores.

 

Serviço

A Tramela publica novos textos de segunda a sexta-feira. O projeto reúne Marleth Silva, José Carlos Fernandes, Letícia W. Magalhães, Luci Collin, Felippe Aníbal, Cristiano Castilho, Luís Henrique Pellanda, Bruno Zermiani e Sandoval Matheus. Autores de fora do grupo fixo podem participar por meio da seção “Porta aberta”.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp