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MPF investiga operações financeiras envolvendo Nelson Tanure

A denúncia relacionada à UPCON foi formalizada em dezembro e tramita na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo

Por Da Redação

MPF investiga operações financeiras envolvendo Nelson Tanure Créditos: Redes sociais

O Ministério Público Federal (MPF) segue investigando uma série de fatos para apurar operações financeiras envolvendo o investidor Nelson Tanure e negócios realizados pela construtora Gafisa entre 2019 e 2020. No centro das apurações está a aquisição da incorporadora UPCON, além de outras operações que, segundo o órgão, apresentam semelhanças estruturais, como os casos envolvendo a WOTAN e o fundo Brazil Realty.

A denúncia relacionada à UPCON foi formalizada em dezembro e tramita na 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo. A Justiça Federal ainda deve decidir se aceita ou não a abertura de ação penal. O MPF também alertou para o risco de prescrição do caso, que pode ocorrer em fevereiro de 2026, caso não haja avanço processual.

A UPCON Incorporadora S/A era uma empresa de capital fechado, atuante no setor imobiliário residencial e comercial. Em 2019, passou a ser negociada pela Gafisa, companhia de capital aberto. O valor final da operação superou R$ 240 milhões e o pagamento envolveu a emissão de ações e debêntures da compradora.

À época, Nelson Tanure era acionista relevante da Gafisa e integrava o Conselho de Administração da companhia, o que, segundo o MPF, lhe dava acesso a informações estratégicas e não públicas sobre operações societárias relevantes. De acordo com a denúncia, antes da divulgação oficial do negócio ao mercado, houve a realização de operações financeiras que teriam se beneficiado dessas informações.

Um dos pontos analisados pelo MPF é o aumento expressivo do capital social da UPCON pouco antes da conclusão da venda. Conforme a investigação, houve uma injeção de recursos superior a R$ 100 milhões, elevando o capital da empresa de cerca de R$ 10 milhões para mais de R$ 160 milhões. Como o valuation da operação estava atrelado ao patrimônio da incorporadora, esse movimento teria impacto direto no número de ações da Gafisa entregues ao controlador da UPCON.

Ainda segundo o MPF, parte do financiamento teria sido estruturada por meio de fundos e instrumentos financeiros ligados a Tanure, com garantias que incluíam ações da própria UPCON e futuros papéis da Gafisa. A acusação sustenta que, após a conclusão da operação, ações da construtora teriam sido repassadas ao investidor em condições mais vantajosas.

Além do caso UPCON, o Ministério Público investiga outras operações consideradas semelhantes. Uma delas envolve a empresa WOTAN Realty, adquirida pela Gafisa por meio de uma estrutura que incluiu debêntures conversíveis em ações e participação de fundos. O MPF apura se houve omissão de informações ao mercado quanto à existência de partes relacionadas, além de avaliar riscos e passivos associados à empresa adquirida.

Outra frente de investigação diz respeito aos investimentos da Gafisa no fundo imobiliário Brazil Realty, que também está sob análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em apuração distinta. Entre 2019 e 2022, a construtora manteve centenas de milhões de reais aplicados no fundo.

A origem do inquérito está ligada a uma representação apresentada pela gestora Esh Capital, investidora minoritária da Gafisa, que apontou possíveis irregularidades nas operações. Até o momento, apenas o caso da UPCON resultou em denúncia formal.

A defesa de Nelson Tanure nega irregularidades. Em nota, os advogados afirmam que a CVM não apontou ilicitudes na operação e que a Polícia Federal não encontrou indícios de crime. Sustentam ainda que a aquisição da UPCON foi amplamente debatida, com divulgação de fatos relevantes e aprovação da maioria dos acionistas da Gafisa. A defesa também pediu que o processo seja remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando conexão com investigações que tramitam sob sigilo naquela Corte.

A Gafisa, por sua vez, informou que não é parte na ação judicial, que a atual gestão não tem relação com os fatos investigados e que o caso se refere a operações realizadas em administrações anteriores. A empresa reiterou o compromisso com a transparência e o cumprimento das normas do mercado.

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