Copel Horta

Jovem é indiciado por ameaça e injúria homofóbica contra adolescente em escola de Santa Tereza do Oeste

Discussão entre estudantes motivada por boatos sobre relacionamentos terminou com ofensas discriminatórias e investigação da Polícia Civil

Por Gazeta do Paraná

Jovem é indiciado por ameaça e injúria homofóbica contra adolescente em escola de Santa Tereza do Oeste Créditos: Fábio Dias/EPR

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito que investigava um caso de ameaça e injúria qualificada por elementos discriminatórios relacionados à orientação sexual ocorrido em Santa Tereza do Oeste e indiciou um jovem de 19 anos pelos crimes. A vítima é um adolescente de 15 anos. O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário, que dará sequência ao caso.

O episódio aconteceu no dia 8 de julho de 2026, nas dependências do Colégio Estadual do Campo de Santa Maria, localizado no município. Conforme as investigações, a discussão teve início após desentendimentos motivados por boatos envolvendo relacionamentos entre adolescentes.

Durante o confronto verbal, segundo a Polícia Civil, o investigado teria ameaçado o adolescente e feito ofensas de caráter homofóbico. Entre as expressões atribuídas ao jovem estão "viado" e a afirmação de que a vítima "ficava dando para os outros", palavras que, de acordo com a investigação, tiveram o objetivo de ofender e discriminar o adolescente em razão de sua orientação sexual.

Ao ser interrogado, o suspeito apresentou confissão parcial. Ele admitiu ter chamado a vítima de "viado" durante a discussão, mas negou ter feito ameaças e também rejeitou ter pronunciado a segunda ofensa apontada no inquérito.

Mesmo diante da negativa parcial, a Polícia Civil entendeu que os elementos reunidos ao longo da investigação, incluindo depoimentos e demais provas colhidas, foram suficientes para o indiciamento pelos crimes de ameaça e injúria qualificada por elementos discriminatórios.

A injúria qualificada por discriminação ocorre quando a ofensa à dignidade ou ao decoro de uma pessoa é motivada por preconceito relacionado, entre outros fatores, à orientação sexual. Desde decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), condutas dessa natureza passaram a receber tratamento semelhante ao dos crimes de racismo, reforçando a proteção jurídica contra manifestações discriminatórias.

Com a conclusão do inquérito, os autos foram remetidos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público, que analisarão o caso e decidirão sobre o eventual oferecimento de denúncia criminal. Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, o investigado passará à condição de réu e responderá ao processo, tendo assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A Polícia Civil ressalta que o combate à discriminação e à violência no ambiente escolar é uma das frentes de atuação da instituição, especialmente em situações que envolvem adolescentes. O objetivo é garantir a responsabilização de eventuais autores e contribuir para a construção de um ambiente escolar seguro, livre de intimidações e de práticas discriminatórias.

O caso também reforça a importância da denúncia de episódios de violência verbal, ameaças e preconceito dentro das escolas. A comunicação rápida às autoridades permite a apuração dos fatos e a adoção das medidas legais cabíveis para proteger as vítimas e responsabilizar os envolvidos.

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