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Copa do Mundo: Grupo J reúne a última dança de Messi e gerações africana e europeia em alta
Confira o panorama da chave que reúne a atual campeã mundial Argentina, a força coletiva da Áustria, o talento da Argélia e a estreante Jordânia
Estamos a apenas dois dias do início da Copa do Mundo. O mundo do futebol já vive a contagem regressiva para o maior Mundial da história. Com 48 seleções na disputa e partidas espalhadas entre Estados Unidos, Canadá e México, a edição de 2026 promete reunir histórias de todos os tipos. E poucas chaves representam tão bem essa diversidade quanto o Grupo J.
De um lado está a Argentina, atual campeã mundial e uma das principais favoritas ao título. Do outro, três seleções que chegam ao torneio por caminhos bastante diferentes: a Áustria tenta confirmar sua ascensão no cenário europeu, a Argélia busca voltar a ser protagonista entre as seleções africanas e a Jordânia viverá o momento mais importante de sua história ao disputar sua primeira Copa do Mundo.
A chave mistura experiência, renovação e sonho. Enquanto os argentinos tentam provar que o ciclo vencedor iniciado por Lionel Scaloni ainda tem combustível, austríacos, argelinos e jordanianos chegam com a ambição de desafiar prognósticos e buscar espaço em um grupo que promete confrontos interessantes.
Abaixo, analisamos o panorama geral da chave e detalhamos o que esperar de cada uma das seleções. E a série ainda não terminou: faltam duas equipes para completar o guia do Grupo J da Copa do Mundo de 2026.
Panorama geral
No papel, o Grupo J parece ter um favorito muito claro. Atual campeã do mundo e líder das Eliminatórias Sul-Americanas, a Argentina entra como a equipe a ser batida e com amplo favoritismo para terminar na primeira colocação da chave. A dúvida não está exatamente sobre a classificação dos argentinos, mas sobre quem conseguirá acompanhá-los na caminhada rumo ao mata-mata.
A principal candidata a essa segunda vaga é a Áustria. Os austríacos chegam embalados pela evolução apresentada nos últimos anos, possuem uma identidade de jogo muito bem definida sob o comando de Ralf Rangnick e contam com um elenco acostumado ao alto nível do futebol europeu. É uma seleção que talvez não tenha o brilho das grandes potências, mas compensa com intensidade, organização e competitividade.
A Argélia aparece logo atrás. Os Fennecs possuem mais talento individual do que muita gente imagina e contam com nomes experientes como Riyad Mahrez, além de uma geração que mistura qualidade técnica e velocidade. Se encontrar regularidade, a seleção africana tem plenas condições de disputar a segunda vaga com os austríacos e até surpreender adversários mais fortes.
Correndo bem por fora está a Jordânia, uma das grandes histórias desta Copa do Mundo. A estreia em Mundiais já representa um feito histórico para os jordanianos, mas o vice-campeonato asiático de 2024 e a campanha nas eliminatórias mostram que a equipe não chegou aqui por acaso. Embora entre como azarã da chave, a Jordânia tem organização suficiente para dificultar a vida de qualquer adversário.
Argentina: Entre a última dança de Messi e o sonho do tetra
Foto: David Ramos – FIFA/FIFA
O caminho até a Copa
A Argentina chega à Copa do Mundo de 2026 como atual campeã mundial. Depois de conquistar o tricampeonato no Catar, em 2022, os argentinos confirmaram nas Eliminatórias Sul-Americanas que continuam sendo a principal força do continente.
A campanha rumo ao Mundial foi marcada pela regularidade. Sob o comando de Lionel Scaloni, a Albiceleste liderou as Eliminatórias da Conmebol durante praticamente todo o ciclo e garantiu a classificação com várias rodadas de antecedência. Mesmo em um continente conhecido pelo equilíbrio e pela dificuldade dos jogos fora de casa, os argentinos conseguiram manter um desempenho superior ao dos principais rivais.
A trajetória começou de forma avassaladora. A Argentina venceu seus primeiros compromissos e rapidamente abriu vantagem na tabela. Ao longo da campanha, acumulou triunfos importantes contra adversários tradicionais, como Brasil, Uruguai e Colômbia, mostrando que a base campeã do mundo permanecia altamente competitiva.
Além dos resultados, as eliminatórias serviram para iniciar uma transição gradual no elenco. Embora Lionel Messi continuasse sendo a principal referência técnica e emocional da equipe, jogadores como Julián Álvarez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e Alejandro Garnacho passaram a assumir cada vez mais protagonismo.
A classificação foi confirmada sem qualquer drama. Ao final da campanha, a Argentina terminou entre as primeiras colocadas da América do Sul, sustentada por uma defesa sólida, um meio-campo extremamente qualificado e a experiência acumulada por uma geração acostumada a disputar decisões.
A vaga garantiu aos argentinos a 19ª participação em Copas do Mundo. Mais do que isso, colocou a seleção novamente entre as favoritas ao título. Afinal, desde a conquista no Catar, a sensação é que a Argentina não apenas manteve sua competitividade, mas também conseguiu renovar parte do elenco sem perder a identidade construída por Scaloni ao longo dos últimos anos.
O que esperar?
Convenhamos: quando a atual campeã do mundo entra em campo, a expectativa é sempre brigar pelo título. E a Argentina chega à Copa de 2026 exatamente nessa condição.
Mais do que os resultados, o que chama atenção é a sensação de continuidade. Poucas seleções chegam ao Mundial com uma identidade tão consolidada quanto a equipe comandada por Lionel Scaloni.
A principal virtude da Argentina talvez seja justamente essa. Enquanto outras potências passaram por trocas de treinadores, reformulações ou oscilações ao longo do ciclo, os argentinos mantiveram a base campeã do mundo e incorporaram novas peças sem perder competitividade.
Isso não significa que o caminho será simples. Defender um título mundial costuma ser uma das tarefas mais difíceis do futebol. Além disso, boa parte da geração campeã em 2022 estará mais velha. Messi terá 39 anos durante o torneio, enquanto outros líderes históricos também chegarão em uma fase mais avançada da carreira.
Mas a verdade é que poucas seleções oferecem tantas garantias quanto a Argentina. O time sabe sofrer, sabe controlar partidas, tem jogadores decisivos em todos os setores do campo e chega ao Mundial sem a pressão que existia antes da conquista no Catar.
Se em 2022 a Argentina entrou na Copa tentando acabar com um jejum de 36 anos, em 2026 o cenário é diferente. Agora, a missão é provar que aquela conquista não foi o ponto final de uma geração, mas o início de uma era. Por tudo o que apresentou durante o ciclo, seria surpresa ver a Albiceleste fora da disputa pelo título nas fases decisivas do torneio.
O craque
Lionel Messi
Pode parecer óbvio, mas enquanto Lionel Messi estiver vestindo a camisa da Argentina, dificilmente outro jogador ocupará o posto de principal nome da seleção. Aos 39 anos, o camisa 10 chega à Copa do Mundo de 2026 possivelmente para sua última participação em Mundiais, carregando um currículo que já o coloca entre os maiores jogadores da história do futebol.
Depois de conquistar a Copa do Mundo de 2022, o principal objetivo de sua carreira pela seleção foi alcançado. Ainda assim, Messi seguiu presente durante o ciclo e mostrou que continua sendo uma peça importante para a Argentina, seja pela qualidade técnica, seja pela liderança exercida dentro do elenco.
Os números ajudam a explicar seu tamanho. Considerado por muitos o maior jogador da história da seleção argentina, Messi ultrapassou a marca de 190 partidas pela Albiceleste e soma mais de 110 gols com a camisa nacional. Além da Copa do Mundo, conquistou duas Copas América e transformou uma geração que acumulava frustrações em uma das mais vencedoras da história do país.
Mas o argumento para colocá-lo como craque da Argentina vai além das estatísticas. Mesmo sem o vigor físico dos tempos de Barcelona, Messi continua sendo o jogador capaz de decidir partidas em um único lance. Sua leitura de jogo, qualidade no passe e capacidade de encontrar espaços onde ninguém mais enxerga seguem fazendo diferença nos momentos mais importantes.
Se esta realmente for sua despedida dos Mundiais, Messi terá a oportunidade de fazer algo que pouquíssimos conseguiram na história: liderar uma seleção ao bicampeonato mundial consecutivo. E, enquanto ele estiver em campo, qualquer sonho argentino parece um pouco mais possível.
Convocados
Confira a lista de convocados da Argentina para a Copa do Mundo de 2026.
Goleiros: Emiliano Martínez (Aston Villa), Gerónimo Rulli (Olympique de Marselha) e Juan Musso (Atlético de Madrid).
Defensores: Nahuel Molina (Atlético de Madrid), Gonzalo Montiel (River Plate), Cristian Romero (Tottenham), Nicolás Otamendi (Benfica), Lisandro Martínez (Manchester United), Leonardo Balerdi (Olympique de Marselha)*, Nicolás Tagliafico (Lyon) e Facundo Medina (Olympique de Marselha).
Meio-campistas: Rodrigo De Paul (Inter Miami), Enzo Fernández (Chelsea), Leandro Paredes (Boca Juniors), Alexis Mac Allister (Liverpool), Valentín Barco (Strasbourg), Giovani Lo Celso (Betis), Exequiel Palacios (Bayer Leverkusen), Thiago Almada (Atlético de Madrid) e Nico Paz (Como).
Atacantes: Lionel Messi (Inter Miami), Nico González (Atlético de Madrid), Giuliano Simeone (Atlético de Madrid), Flaco López (Palmeiras), Julián Álvarez (Atlético de Madrid) e Lautaro Martínez (Inter de Milão).
*Leonardo Balerdi foi cortado por lesão. Até o momento, a seleção argentina ainda não anunciou seu substituto.
Argélia: Os Fennecs querem voltar a surpreender o mundo

O caminho até a Copa
A Argélia chega à Copa do Mundo de 2026 determinada a apagar uma sequência de frustrações recentes. Depois de ficar fora dos Mundiais de 2018 e 2022, os argelinos conseguiram voltar ao maior palco do futebol mundial e encerraram um jejum que começava a incomodar uma das seleções mais tradicionais da África.
A classificação foi construída em uma campanha marcada pela regularidade. Os argelinos assumiram o protagonismo de seu grupo nas Eliminatórias Africanas desde as primeiras rodadas e raramente deram margem para dúvidas sobre quem ficaria com a vaga.
O ataque foi um dos pontos fortes da equipe durante todo o ciclo. Liderada por Riyad Mahrez, a Argélia acumulou vitórias importantes e mostrou um futebol mais agressivo do que em campanhas anteriores. Ao mesmo tempo, a defesa apresentou consistência suficiente para evitar os tropeços que custaram caro nas eliminatórias passadas.
A caminhada começou com vitórias sobre Somália e Moçambique, resultados que deram tranquilidade para a equipe controlar a disputa. Com o passar das rodadas, os argelinos confirmaram o favoritismo diante dos concorrentes diretos e chegaram à reta final dependendo apenas de seus próprios resultados para garantir a classificação.
O técnico Vladimir Petković também teve papel importante no processo. Contratado após a eliminação precoce na Copa Africana de Nações de 2024, o treinador conseguiu reorganizar a seleção e promover uma renovação gradual sem abrir mão da experiência de jogadores históricos.
A vaga foi confirmada sem a necessidade de repescagem, recolocando a Argélia em uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 2014. Naquele Mundial, os argelinos fizeram a melhor campanha de sua história ao alcançar as oitavas de final e venderam caro a eliminação para a Alemanha, que acabaria conquistando o título.
Agora, os Fennecs retornam ao torneio carregando a expectativa de mostrar que o futebol argelino continua entre os mais fortes da África. E, olhando para o elenco e para a campanha das eliminatórias, há motivos para acreditar nisso.
O que esperar?
A Argélia chega à Copa do Mundo de 2026 como uma das seleções africanas mais difíceis de avaliar. Em termos de talento individual, poucos países do continente conseguem rivalizar com os Fennecs. O elenco conta com jogadores espalhados pelas principais ligas da Europa e possui qualidade suficiente para competir contra adversários de qualquer nível.
O principal motivo para acreditar em uma boa campanha está justamente no ataque. Riyad Mahrez continua sendo a principal referência técnica da equipe, mas já não carrega o peso sozinho. A nova geração trouxe alternativas importantes, tornando a seleção menos dependente de um único jogador do que em ciclos anteriores.
A verdade é que a Argélia chega mais forte do que o próprio histórico recente sugere. Depois do fracasso nas Eliminatórias para a Copa de 2022 e das decepções em algumas competições continentais, a seleção conseguiu reconstruir sua confiança e voltou a apresentar o futebol que a transformou em campeã africana em 2019.
Por outro lado, ainda existe uma dúvida importante: como esse time reagirá nos momentos de pressão? A geração atual alternou grandes atuações com eliminações inesperadas nos últimos anos. Em outras palavras, a Argélia tem qualidade para surpreender uma seleção favorita em um jogo eliminatório, mas também já mostrou ser capaz de complicar a própria vida em partidas teoricamente mais acessíveis.
O craque
Riyad Mahrez
A Argélia possui uma geração talentosa e vários jogadores espalhados pelas principais ligas do mundo, mas nenhum deles representa tanto a seleção quanto Riyad Mahrez. Aos 35 anos, o atacante chega à Copa do Mundo de 2026 como capitão, líder técnico e principal símbolo do período mais vitorioso da história recente dos Fennecs.
Pode até não viver mais o auge dos tempos de Manchester City, mas Mahrez continua sendo o jogador capaz de decidir partidas em um único lance. Sua qualidade no drible, a precisão do pé esquerdo e a capacidade de criar oportunidades onde elas parecem não existir fazem dele a principal referência ofensiva da equipe.
Os números ajudam a justificar essa escolha. Com mais de 100 partidas pela seleção argelina e mais de 30 gols marcados, Mahrez está entre os jogadores mais importantes da história do país. Foi protagonista da conquista da Copa Africana de Nações de 2019, principal título da Argélia neste século, e participou diretamente de alguns dos momentos mais marcantes da seleção nos últimos anos.
Mas talvez o maior argumento esteja na influência que exerce dentro do grupo. Em uma equipe que passa por renovação gradual, Mahrez é a ponte entre a geração que conquistou a África e os jogadores que agora tentam recolocar a Argélia entre as protagonistas do futebol mundial.
Mesmo aos 35 anos, continua sendo o atleta mais criativo do elenco e aquele que os companheiros procuram nos momentos decisivos. Se a Argélia pretende voltar a surpreender em uma Copa do Mundo, muito passará pelos pés de seu capitão.
Convocados
Confira a lista de convocados da Argélia para a Copa do Mundo de 2026.
Goleiros: Luca Zidane (Granada), Oussama Benbot (USM Alger), Melvin Mastil (Stade Nyonnais) e Abdelatif Ramdane (MC Alger).
Defensores: Rafik Belghali (Hellas Verona), Samir Chergui (Paris FC), Rayan Aït-Nouri (Manchester City), Jaouen Hadjam (Young Boys), Aïssa Mandi (Lille), Ramy Bensebaini (Borussia Dortmund), Zineddine Belaïd (JS Kabylie), Achref Abada (USM Alger) e Mohamed Amine Tougai (Espérance de Tunis).
Meio-campistas: Nabil Bentaleb (Lille), Hicham Boudaoui (Nice), Houssem Aouar (Al-Ittihad), Farès Chaïbi (Eintracht Frankfurt), Ibrahim Maza (Bayer Leverkusen), Yacine Titraoui (Royal Charleroi) e Ramiz Zerrouki (Twente).
Atacantes: Mohamed Amine Amoura (Wolfsburg), Nadhir Benbouali (Győr), Adil Boulbina (Al-Duhail), Farès Ghedjemis (Frosinone), Amine Gouiri (Olympique de Marselha), Anis Hadj Moussa (Feyenoord) e Riyad Mahrez (Al-Ahli).
Áustria: força coletiva de uma geração em ascensão
Foto: JOHN MACDOUGALL / AFP
O caminho até a Copa
A Áustria chega à Copa do Mundo de 2026 vivendo um dos melhores momentos de sua história recente. Depois de bater na trave em algumas competições importantes e mostrar evolução constante sob o comando de Ralf Rangnick, os austríacos conseguiram transformar o bom futebol apresentado nos últimos anos em uma classificação convincente para o Mundial.
A caminhada nas Eliminatórias Europeias começou com certa pressão. Afinal, a Áustria vinha de boas campanhas na Eurocopa e na Liga das Nações, mas ainda precisava provar que conseguiria confirmar seu crescimento em uma competição classificatória.
E a resposta veio rapidamente. Apostando no estilo intenso que se tornou marca registrada de Rangnick, os austríacos assumiram o controle de seu grupo e construíram a campanha apoiados em pressão alta, transições rápidas e muita agressividade sem a bola.
A seleção acumulou vitórias importantes diante dos principais concorrentes da chave e mostrou uma regularidade que raramente havia sido vista em ciclos anteriores. O ataque funcionou bem durante praticamente toda a campanha, enquanto a defesa apresentou segurança nos momentos decisivos.
Jogadores como Marcel Sabitzer, Konrad Laimer e Michael Gregoritsch tiveram papel importante ao longo das eliminatórias, ajudando a formar uma equipe equilibrada e difícil de ser enfrentada. Mais do que depender de uma estrela, a Áustria se classificou graças à força coletiva.
A vaga foi confirmada sem necessidade de repescagem, coroando um ciclo bastante positivo. O desempenho reforçou a sensação de que os austríacos deixaram de ser apenas uma seleção competitiva para se tornarem uma equipe capaz de incomodar adversários mais tradicionais do futebol europeu.
Agora, a Áustria retorna à Copa do Mundo após ficar fora da edição de 2022. A participação de 2026 será a quinta de sua história e chega cercada por uma expectativa que não se via há muitos anos no país. Afinal, poucas seleções europeias evoluíram tanto nos últimos ciclos quanto a equipe comandada por Ralf Rangnick.
O que esperar?
A Áustria chega à Copa do Mundo de 2026 como uma daquelas seleções em que poucos apostam, mas que ninguém gostaria de enfrentar em um mata-mata. Nos últimos anos, os austríacos deixaram de ser apenas uma equipe competitiva e passaram a incomodar seleções muito mais tradicionais do futebol europeu.
Talvez o maior trunfo do time seja justamente a força coletiva. Diferentemente de outras seleções que dependem de um craque para resolver partidas, os austríacos distribuem responsabilidades e contam com um elenco bastante equilibrado.
A Eurocopa de 2024 mostrou do que essa equipe é capaz. A Áustria terminou na liderança de um grupo que tinha França e Holanda, jogando um futebol agressivo, intenso e organizado. Não foi acaso. Aquele desempenho consolidou a sensação de que os austríacos finalmente deram um salto de qualidade.
Mas existe um limite para a empolgação. Embora seja uma seleção muito bem treinada, a Áustria ainda não possui o mesmo talento individual das principais candidatas ao título. Em uma Copa do Mundo, onde detalhes costumam decidir confrontos equilibrados, isso pode fazer diferença.
Ainda assim, os austríacos chegam ao Mundial com condições reais de avançar de fase e sonhar com uma campanha histórica. Talvez não tenham elenco para levantar a taça, mas possuem futebol suficiente para complicar a vida de qualquer adversário.
O craque
David Alaba
A Áustria possui uma geração talentosa e extremamente bem organizada, mas quando o assunto é liderança, experiência e representatividade, nenhum jogador se aproxima de David Alaba. Aos 34 anos, o defensor chega à Copa do Mundo de 2026 como capitão e principal referência de uma seleção que vive um dos melhores momentos de sua história recente.
Os números ajudam a explicar sua importância. Com mais de 100 partidas pela seleção, Alaba é um dos jogadores que mais vestiram a camisa da Áustria e participou diretamente da transformação do país em uma presença constante nas grandes competições internacionais.
Sua carreira também fala por si só. Campeão da Liga dos Campeões com o Bayern de Munique e posteriormente destaque do Real Madrid, Alaba passou mais de uma década atuando no mais alto nível do futebol europeu. Essa experiência é algo que poucos jogadores do elenco possuem.
Além da qualidade técnica, o defensor oferece versatilidade. Ao longo da carreira atuou como lateral-esquerdo, zagueiro, volante e até meio-campista em determinadas circunstâncias. Essa inteligência tática se encaixa perfeitamente no modelo de jogo implementado por Ralf Rangnick.
Mais do que um grande jogador, Alaba é a principal liderança da seleção austríaca. Em um elenco que mistura juventude e experiência, ele continua sendo a referência dentro e fora de campo.
Convocados
Confira os 26 convocados da Áustria para a Copa do Mundo de 2026.
Goleiros: Pentz (Brøndby), Schlager (RB Salzburg) e Wiegele (Viktoria Plzeň).
Defensores: Affengruber (Elche), Alaba (Real Madrid), Danso (Tottenham), Friedl (Werder Bremen), Lienhart (Freiburg), Mwene (Mainz 05), Prass (Hoffenheim), Posch (Mainz 05) e Svoboda (Venezia).
Meio-campistas: Baumgartner (RB Leipzig)*, Chukwuemeka (Borussia Dortmund), Grillitsch (Braga), Laimer (Bayern de Munique), Sabitzer (Borussia Dortmund), Schlager (RB Leipzig), Schmid (Werder Bremen), Schöpf (Wolfsberger), Seiwald (RB Leipzig), Wanner (PSV) e Wimmer (Wolfsburg).
Atacantes: Arnautović (Crvena Zvezda), Gregoritsch (Augsburg) e Kalajdžić (LASK Linz).
*Christoph Baumgartner foi cortado por lesão. O técnico Ralf Rangnick ainda não anunciou o substituto.
Jordânia: a estreante em Copas
Foto: Reprodução/Fifa
O caminho até a Copa
A Jordânia protagonizou uma das histórias mais marcantes das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo de 2026. Depois de bater na trave diversas vezes ao longo de sua história, os jordanianos finalmente conquistaram a primeira classificação para um Mundial e garantiram um lugar inédito entre as 48 seleções da competição.
A campanha foi construída na sequência do excelente trabalho apresentado na Copa da Ásia de 2024, quando a Jordânia surpreendeu o continente ao chegar à final do torneio. Aquele desempenho mostrou que a seleção havia deixado de ser apenas uma equipe competitiva para se tornar uma candidata real a disputar vagas em grandes competições.
Nas Eliminatórias Asiáticas, os jordanianos avançaram sem dificuldades pela segunda fase e chegaram à etapa decisiva cercados de expectativa. O desafio aumentou consideravelmente, mas a equipe respondeu à altura.
Integrando uma chave com Coreia do Sul, Iraque, Omã, Palestina e Kuwait, a Jordânia mostrou regularidade durante todo o ciclo. O time soube pontuar fora de casa, evitou derrotas em confrontos diretos e se manteve firme na disputa pelas vagas diretas até as rodadas finais.
O momento decisivo aconteceu justamente na reta final das eliminatórias. Com vitórias importantes sobre Omã e Palestina, os jordanianos chegaram às últimas rodadas dependendo apenas de si para confirmar a classificação. A vaga foi garantida de forma histórica ao terminar entre os dois primeiros colocados do grupo, assegurando presença direta na Copa do Mundo.
A classificação colocou fim a décadas de espera. Depois de várias tentativas frustradas e de uma dolorosa eliminação na repescagem para a Copa de 2014, a Jordânia finalmente conseguiu alcançar o maior palco do futebol mundial.
Agora, os Nashama chegam à América do Norte carregando o entusiasmo de um país que disputará sua primeira Copa do Mundo. Mais do que uma simples classificação, o feito simboliza o crescimento de uma seleção que vem ganhando espaço no cenário asiático e que já não pode mais ser tratada como surpresa.
O que esperar?
A Jordânia chega à Copa do Mundo de 2026 vivendo o momento mais importante de sua história no futebol. Pela primeira vez classificada para um Mundial, a seleção desembarca na América do Norte sem a pressão que acompanha as grandes potências e com a confiança de quem deixou de ser surpresa no cenário asiático.
E vale um alerta: quem pensa que a Jordânia está na Copa apenas para participar talvez não tenha acompanhado os últimos anos da equipe. Os jordanianos foram vice-campeões da Copa da Ásia em 2024, eliminando seleções tradicionais do continente, e confirmaram essa evolução ao conquistar uma vaga direta para o Mundial.
O principal ponto forte da equipe é a organização coletiva. A Jordânia não possui o talento individual de seleções como Japão, Coreia do Sul ou Austrália, mas compensou essa diferença com disciplina tática, intensidade e um time que joga junto há bastante tempo.
Outro fator importante é a confiança. Diferentemente de muitas estreantes em Copas do Mundo, a Jordânia chega após uma sequência de resultados expressivos. A classificação não aconteceu por acaso nem veio através de uma repescagem improvável. Foi construída ao longo de uma campanha sólida contra adversários fortes do continente.
Claro que existem limitações. O elenco possui pouca experiência nas principais ligas da Europa e a maioria dos jogadores atua no futebol asiático. Em uma Copa do Mundo, onde os detalhes costumam decidir partidas, essa diferença técnica pode pesar.
Ainda assim, os jordanianos já mostraram que gostam de desafiar previsões. Foi assim na Copa da Ásia e foi assim nas eliminatórias. Avançar de fase seria um feito histórico, mas a Jordânia chega ao Mundial acreditando que pode competir de igual para igual e transformar sua primeira participação em algo memorável.
O craque
Mousa Al-Tamari
Se a Jordânia chegou pela primeira vez a uma Copa do Mundo, muito desse feito passa pelos pés de Mousa Al-Tamari. Aos 29 anos, o atacante chega ao Mundial de 2026 como principal jogador da história recente da seleção e o rosto de uma geração que transformou o futebol jordaniano.
Conhecido por muitos como o "Messi Jordaniano", Al-Tamari foi o primeiro jogador do país a atuar em uma das cinco principais ligas da Europa. Depois de se destacar no Chipre e na Bélgica, construiu carreira na França e chegou ao Rennes como a principal referência internacional do futebol jordaniano.
Mas seu impacto na seleção vai muito além da trajetória nos clubes. Al-Tamari foi protagonista da histórica campanha que levou a Jordânia à final da Copa da Ásia de 2024 e também teve papel decisivo nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Sua velocidade, capacidade de drible e habilidade para atuar pelos lados do campo transformaram o atacante na principal arma ofensiva dos Nashama.
Os números ajudam a explicar sua importância. Com mais de 90 partidas pela seleção principal e mais de 20 gols marcados, ele já figura entre os jogadores mais relevantes da história do país.
Convocados
Confira a lista de convocados do técnico Jamal Sellami para a Jordânia.
Goleiros: Yazeed Abu Laila (Al-Hussein), Abdullah Al-Fakhouri (Al-Wehdat) e Nour Bani Attiah (Al-Faisaly).
Defensores: Abdallah Nasib (Al-Zawraa), Saed Al-Rosan (Al-Hussein), Yazan Al-Arab (Seoul), Saleem Obaid (Al-Hussein), Mohammad Abualnadi (Selangor), Husam Abu Dahab (Al-Salmiya), Ihsan Haddad (Al-Hussein), Anas Badawi (Al-Faisaly), Mohannad Abu Taha (Al-Quwa Al-Jawiya) e Mohammad Abu Hashish (Al-Karma).
Meio-campistas: Nour Al-Rawabdeh (Selangor), Nizar Al-Rashdan (Qatar SC), Ibrahim Sadeh (Al-Karma), Rajaei Ayed (Al-Hussein), Amer Jamous (Al-Zawraa) e Mohammad Al-Dawoud (Al-Wehdat).
Atacantes: Mahmoud Al-Mardi (Al-Hussein), Mousa Al-Tamari (Rennes), Mohammad Abu Zrayq (Raja CA), Ali Al-Azaizeh (Al-Shabab), Odeh Fakhouri (Pyramids), Ibrahim Sabra (Lokomotiva Zagreb) e Ali Olwan (Al-Sailiya).
Palpite da redação
A redação aposta na classificação da Argentina e da Áustria. Os argentinos possuem o elenco mais forte da chave e chegam como favoritos naturais à liderança do grupo. Já os austríacos vivem um dos melhores momentos de sua história recente e parecem ter a combinação ideal entre organização tática e competitividade para conquistar a segunda vaga. A Argélia corre logo atrás. A Jordânia, em sua primeira participação em Copa vem para desfrutar do momento
