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Depois de 20 anos, Sérgio Nahas é preso na Bahia após decisão do STF

Sérgio Nahas estava foragido desde maio de 2025 e foi localizado por sistema de reconhecimento facial após condenação definitiva pelo Supremo

Depois de 20 anos, Sérgio Nahas é preso na Bahia após decisão do STF Créditos: Reprodução/Oglobo

O empresário Sérgio Nahas foi preso neste fim de semana na Bahia após ser identificado por um sistema de reconhecimento facial. Ele havia sido condenado pelo assassinato da esposa, ocorrido em 2002, mas a condenação definitiva só foi confirmada em 2025 pelo Supremo Tribunal Federal. Desde maio do ano passado, Nahas era considerado foragido da Justiça.

A prisão ocorreu após o trânsito em julgado do processo, quando não cabem mais recursos. Com isso, a ordem de prisão passou a ter execução imediata.

Por que a prisão demorou mais de 20 anos

O caso se arrastou por mais de duas décadas em razão da apresentação de inúmeros recursos pela defesa, grande parte considerada de caráter protelatório. O primeiro júri popular chegou a ser marcado para 2017, mas foi adiado.

A primeira condenação só ocorreu em 2018, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que fixou pena de sete anos de prisão em regime semiaberto. Na ocasião, Sérgio Nahas ficou preso apenas 37 dias, em razão de uma condenação paralela por porte ilegal de arma de fogo.

Em 2021, a pena foi revista e aumentada. O entendimento da acusação foi de que o crime ocorreu dentro da residência do casal, ambiente no qual a vítima se sentia protegida. Com isso, a pena passou para oito anos e dois meses de reclusão em regime fechado.

A defesa levou o processo ao STF. Em 2025, a Corte confirmou integralmente a condenação. Os ministros seguiram o voto do relator, Dias Toffoli, mantendo a pena definida pelas instâncias inferiores.

Defesa contesta execução da prisão

Após a decisão do Supremo, o processo foi considerado encerrado. Mesmo assim, a defesa afirmou que ainda existem medidas pendentes em tribunais superiores, cujo andamento teria sido prejudicado pelo recesso do Judiciário.

Em nota, a advogada Adriana Machado e Abreu informou que Sérgio Nahas reside na Bahia há anos, antes mesmo da expedição do mandado de prisão. Segundo ela, o empresário não teria intenção de descumprir decisões judiciais e enfrenta problemas graves de saúde, por ser uma pessoa idosa.

Como ocorreu o crime

A vítima, Fernanda Orfali, estava casada havia apenas seis meses quando foi morta. O crime ocorreu no apartamento onde o casal morava, no bairro Higienópolis, área nobre da cidade de São Paulo.

As investigações apontaram que o assassinato teria sido motivado pela descoberta, por parte da vítima, de traições e do uso de drogas por Nahas. Cerca de 30 minutos antes de morrer, Fernanda ligou para o irmão, Júlio, e pediu que fosse buscá-la. Ele percebeu que a situação era grave, mas, ao chegar ao local, encontrou a irmã já sem vida.

À polícia, Sérgio Nahas afirmou que a esposa teria se trancado no closet e cometido suicídio. Disse ainda que arrombou a porta na tentativa de salvá-la. A versão foi contestada pela investigação, que encontrou resíduos de pólvora nas roupas do empresário.

A defesa alegou que a pólvora estava presente porque Nahas teria abraçado a mulher após o disparo. Na época, ele foi preso por porte ilegal de arma, mas acabou liberado pouco tempo depois.

Contradições e apuração policial

Antes do crime, Nahas teria desaparecido por um período e foi confrontado pela esposa ao retornar para casa. Segundo relatos da família, ele ficou irritado após Fernanda sair com uma amiga solteira para um salão de beleza.

De acordo com depoimentos, Fernanda acessou o celular do marido e encontrou contatos frequentes, incluindo o de uma mulher trans identificada como Katryna. Em declarações prestadas durante o processo, ela afirmou que o marido participava de encontros sexuais regados a cocaína.

A soma de provas periciais, testemunhos e contradições na versão apresentada pela defesa levou à condenação definitiva do empresário.

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