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Caso Banco Master: Defesa de Vorcaro reage no STF enquanto operador segue em estado grave

Advogados do banqueiro pedem que o ministro André Mendonça determine acesso aos dados que fundamentaram a prisão preventiva

Caso Banco Master: Defesa de Vorcaro reage no STF enquanto operador segue em estado grave Créditos: Divulgação/Banco Master

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (05) que determine à Polícia Federal (PF) a apresentação de informações que fundamentaram o pedido de prisão preventiva decretado contra ele na terceira fase da Operação Compliance Zero.

O pedido foi apresentado após a prisão do empresário e de outros investigados durante a nova etapa da operação, autorizada pelo ministro André Mendonça. A investigação apura a possível prática de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos por uma organização criminosa.

Em nota assinada pelo advogado Edson Gushiken, a defesa afirmou que não teve acesso prévio aos elementos que embasaram a decisão judicial e solicitou esclarecimentos sobre os dados apresentados pelos investigadores.

Entre os pontos questionados estão as datas das mensagens atribuídas a Vorcaro citadas no pedido de prisão e informações sobre um suposto grupo de mensagens chamado “A Turma”, mencionado na investigação. Os advogados pediram ainda esclarecimentos sobre a existência do grupo e se o banqueiro faria parte dele.

A defesa também solicitou detalhes sobre as supostas invasões a sistemas de órgãos públicos e remoções de conteúdos em plataformas digitais citadas na investigação.

Outro pedido envolve a identificação do documento, do número da conta e das evidências que teriam embasado a informação de bloqueio de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai do empresário.

Os advogados também pediram acesso aos documentos que comprovariam pagamentos apontados pela Polícia Federal como parte de uma estrutura usada para monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias dos interesses do banqueiro.

Investigação cita operador do grupo

Segundo a Polícia Federal, os pagamentos seriam realizados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado nas investigações como responsável por gerenciar os recursos do grupo.

De acordo com os investigadores, um dos beneficiários desses pagamentos seria Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no celular de Vorcaro como Felipe Mourão e apelidado de “Sicário”.

Na decisão do ministro André Mendonça, Mourão é descrito como responsável por atividades ligadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e atuação em situações consideradas sensíveis para os interesses do grupo investigado.

Ainda segundo as investigações, ele receberia pagamentos mensais que chegariam a R$ 1 milhão.

Investigado está internado em estado grave

Luiz Phillipi Mourão foi preso durante a terceira fase da operação e encaminhado para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais, em Belo Horizonte.

De acordo com a Polícia Federal, o investigado tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da corporação.

Ele foi socorrido por policiais responsáveis pela custódia, reanimado e encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital João XXIII, na capital mineira.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, Mourão permanece internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da unidade hospitalar, sob monitoramento médico contínuo. O estado de saúde é considerado grave, com suspeita de morte cerebral.

Histórico da operação

A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar a emissão de títulos de crédito considerados falsos por instituições do sistema financeiro nacional.

Na primeira fase da operação, Daniel Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos (SP) quando tentava deixar o país.

Na ocasião, ele permaneceu detido por 11 dias e foi liberado após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A decisão determinou medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de exercer atividades no setor financeiro.

Também foi determinado que os investigados não mantivessem contato entre si e não deixassem o país.

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