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Cristina Graeml mira Senado, mas admite espaço na majoritária e agita articulações no PR

Filiação ao PSD reposiciona jornalista no tabuleiro eleitoral do Paraná; pré-candidata mantém projeto ao Senado, admite espaço na vice e reforça aproximação com o campo governista

Por Eliane Alexandrino

Cristina Graeml mira Senado, mas admite espaço na majoritária e agita articulações no PR Créditos: Divulgação

Em entrevista na Rádio Massa FM Cascavel, na manhã desta quarta-feira (8), a jornalista Cristina Graeml afirmou que sua entrada no PSD do governador Ratinho Junior abriu um novo capítulo nas articulações políticas para a sucessão estadual de 2026 no Paraná. Após meses de movimentação em torno de uma possível candidatura ao Senado, ela passou a admitir publicamente que seu nome também está à disposição para compor a chapa majoritária do grupo governista, inclusive em uma eventual vaga de vice-governadora.

A sinalização evidencia que a filiação não foi apenas uma mudança partidária, mas um reposicionamento estratégico dentro do tabuleiro eleitoral paranaense. Ao mesmo tempo em que mantém a pré-campanha ao Senado, Cristina deixa claro que aceitou ampliar o raio de atuação política a partir de um entendimento firmado com Ratinho Junior. Segundo ela, o convite do governador não se restringiu à disputa por uma cadeira no Congresso, mas incluiu a possibilidade de participação mais ampla na construção da chapa para 2026.

“Entro como soldado para somar na majoritária”, afirmou, ao ser questionada se chegava ao PSD já carimbada como pré-candidata ao Senado. A resposta, mais do que uma frase de efeito, indica a estratégia que começa a se consolidar no entorno do Palácio Iguaçu: manter nomes competitivos em circulação, ampliar o leque de composições e testar encaixes políticos antes da definição final da chapa.

Cristina sustenta, porém, que sua prioridade continua sendo o Senado. Ela afirma que a pré-campanha começou em 13 de fevereiro de 2025 e, desde então, percorreu 96 cidades, rodou cerca de 40 mil quilômetros pelo Paraná e conversou com prefeitos, vereadores e lideranças regionais. A narrativa busca reforçar que sua presença no debate estadual não surgiu com a filiação ao PSD, mas foi construída ao longo de mais de um ano de articulação política e exposição pública.

O movimento interessa diretamente ao grupo de Ratinho Junior, que tenta equilibrar interesses internos, ampliar a capilaridade eleitoral e manter sob sua órbita nomes com potencial de voto em diferentes regiões e segmentos do eleitorado. Cristina agrega, nesse contexto, um ativo político relevante em Curitiba, onde saiu fortalecida da disputa municipal de 2024. Mesmo derrotada, ela obteve quase 400 mil votos no segundo turno e consolidou um capital eleitoral que agora passa a ser disputado dentro da engrenagem governista.

A ex-candidata afirma que o ingresso no grupo ocorreu após convite e diálogo direto com o governador. Segundo ela, houve abertura para discutir a participação na chapa majoritária, algo que, em sua versão, não encontrou em outras legendas. Essa declaração reforça a leitura de que Ratinho Junior busca montar um arranjo político flexível, com capacidade de acomodar lideranças, reduzir tensões e evitar dispersão no campo aliado.

Ao tratar dos bastidores, Cristina também faz questão de marcar posição em relação às articulações da direita paranaense. Ela nega ter participado diretamente das negociações envolvendo o senador Sergio Moro e lideranças do PL, embora admita ter estado em Brasília em reuniões com nomes como Rogério Marinho e Flávio Bolsonaro. Segundo seu relato, não houve definição sobre seu futuro naquele momento, e o espaço que ela pretendia ocupar no Senado não se concretizou dentro do PL.

A jornalista diz ainda que Jair Bolsonaro a convidou para disputar o Senado pela legenda, mas que a composição não avançou por falta de espaço interno. Também afirma ter recusado a possibilidade de concorrer à Câmara dos Deputados, por entender que esse não é seu projeto político. A fala ajuda a construir uma imagem de coerência estratégica: Cristina se apresenta como alguém que não pretende ocupar qualquer cargo, mas disputar posições que considera compatíveis com sua trajetória e com o apoio recebido.

Nesse cenário, sua aproximação com o PSD representa também uma inflexão importante após a eleição municipal de Curitiba. Adversária do grupo que hoje a acolhe, Cristina reconhece que a transição exige acomodação política. Ela diz estar sendo bem recebida, mas admite que ainda não conversou com o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, seu rival na disputa de 2024. O gesto é simbólico: embora já integrada ao campo governista, ainda há arestas a aparar dentro da própria base que Ratinho Junior tenta consolidar.

A ausência desse diálogo imediato mostra que a construção da unidade não será automática. Há um processo em curso, marcado por aproximações graduais, testes de convivência e ajuste de interesses. Ainda assim, Cristina evita adotar tom de confronto. Diz que o entendimento com o grupo será construído com naturalidade e sustenta que, após a eleição, retornou ao jornalismo e não atuou como opositora da gestão municipal.

Outro ponto politicamente sensível é o alinhamento nacional. Mesmo filiada ao PSD, Cristina afirma manter apoio a Flávio Bolsonaro para a Presidência da República e diz que Ratinho Junior respeitou essa posição. A declaração expõe uma tentativa de conciliar o projeto estadual do governador com setores do eleitorado bolsonarista, sem exigir de imediato um alinhamento total em torno da disputa presidencial.

No xadrez de 2026, essa combinação pode ser valiosa. Cristina funciona como ponte com uma parcela do eleitorado conservador e de direita, ao mesmo tempo em que passa a integrar o núcleo de discussão de uma chapa liderada pelo grupo de situação no Paraná. Ao minimizar o risco de divisão de votos no Senado, ela sinaliza confiança de que haverá espaço para mais de uma candidatura competitiva nesse campo político.

Seu discurso também revela uma disposição calculada: manter viva a candidatura ao Senado, sem fechar as portas para uma solução de vice-governança, caso esse seja o desenho que melhor atenda à estratégia do grupo. Em outras palavras, Cristina entra no jogo da majoritária sem abandonar o projeto próprio, mas aceitando que o destino eleitoral poderá ser definido dentro de uma construção maior.

Com isso, Ratinho Junior ganha mais uma peça relevante na montagem do tabuleiro para 2026. E Cristina, por sua vez, deixa de ser apenas um nome em pré-campanha ao Senado para se transformar em variável concreta nas negociações da sucessão estadual. No momento em que o grupo governista busca combinar força eleitoral, equilíbrio interno e amplitude política, sua filiação ao PSD passa a ter peso que vai além da legenda: torna-se parte de uma disputa maior, marcada por articulações, reposicionamentos e definições que devem moldar o cenário político do Paraná nos próximos meses.

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