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Após virar sócio do irmão do governador, empresário vê contratos com a Celepar saltarem de R$ 8 mi para R$ 79 milhões

Gabriel Massa, irmão de Ratinho Júnior e presidente do Grupo Massa, tornou-se sócio de empresário ligado à empresa vencedora no período em que contratos da Celepar cresceram, em licitações com impugnações e baixa concorrência

Por Gazeta do Paraná

Após virar sócio do irmão do governador, empresário vê contratos com a Celepar saltarem de R$ 8 mi para R$ 79 milhões Créditos: Reprodução Redes sociais

Gabriel Massa, irmão do governador Ratinho Jr. e presidente do Grupo Massa, passou a ser sócio de um empresário que, no mesmo período, viu sua empresa se transformar em uma das maiores vencedoras de licitações da Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar). A coincidência temporal entre essa sociedade empresarial, firmada em 2023, e o salto expressivo nos valores dos contratos públicos é o ponto central de uma série de questionamentos levantados pela oposição na Assembleia Legislativa do Paraná.

O empresário em questão é Rodolfo de Souza Aires, sócio da Linea Tecnologia em Comunicação Ltda, empresa que acumulou mais de R$ 140 milhões em registros de preços e contratos derivados com a Celepar entre 2022 e 2025. Rodolfo e Gabriel tornaram-se sócios em abril de 2023 na empresa TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda, conforme registros oficiais da Receita Federal.

Embora Gabriel Massa não integre formalmente o quadro societário da Linea, a cronologia dos fatos - sociedade firmada em 2023 e explosão dos contratos no mesmo ano - passou a ser tratada como politicamente sensível e exige explicações, segundo a oposição.


2022: antes da virada

Em 2022, a Linea venceu seu primeiro contrato relevante com a Celepar. Por meio do Pregão Eletrônico nº 1176/2022, a empresa foi contratada por R$ 8,05 milhões para prestar serviços de gerenciamento de canais eletrônicos, instalação e manutenção de equipamentos e criação de conteúdo.

Durante esse certame, houve impugnação apresentada por empresa concorrente, que questionou pontos do termo de referência e critérios técnicos do edital. A impugnação, no entanto, não foi conhecida pela Celepar por ter sido protocolada fora do prazo legal. O processo seguiu e foi homologado.

À época, a Linea não figurava entre as principais fornecedoras da estatal, e não havia indícios de concentração ou protagonismo nos contratos da Celepar.

 

2023: sociedade formada, contratos disparam 

O cenário muda em 2023. Em abril daquele ano, Rodolfo de Souza Aires passa a dividir sociedade empresarial com Gabriel Massa na TLA Brasil Tecnologia em Monitores Ltda. Poucos meses depois, a Linea vence um novo pregão da Celepar, o Pregão Eletrônico nº 1189/2023.

Neste certame, houve nova impugnação apresentada por empresa concorrente, que questionava exigências técnicas relacionadas à comprovação de capacidade e à descrição dos serviços previstos no edital. Assim como em 2022, a impugnação não foi conhecida por intempestividade.

Apesar disso, a Celepar revisou de ofício parte das exigências técnicas do edital, ampliando os tipos de atestados aceitos para fins de comprovação de experiência. O objeto do contrato permaneceu praticamente o mesmo do ano anterior, mas o valor saltou para R$ 36,1 milhões, mais de quatro vezes o montante contratado em 2022.

Para a oposição, a combinação de sociedade empresarial recém-formada, impugnação ao edital e salto expressivo de valores no mesmo ano reforça a necessidade de esclarecimentos públicos.

 

2024: continuidade e repetição de questionamentos

Em 2024, a Celepar voltou a contratar a Linea por meio da Licitação Eletrônica nº 112/2024. O escopo seguiu semelhante: comunicação digital, equipamentos, sistemas de atendimento e produção de conteúdo.

Também neste certame houve questionamentos formais de empresas concorrentes, novamente por meio de impugnação ao edital. Assim como nos anos anteriores, a Celepar não conheceu a impugnação por questões formais de prazo, mantendo o processo licitatório.

O valor final foi de R$ 26,4 milhões, consolidando a empresa como fornecedora recorrente de alto valor da estatal.

 

2025: contrato recorde

O auge da sequência ocorre em 2025, com a Licitação Eletrônica nº 0058/2025, vencida pela Linea com um registro de preços de R$ 79,2 milhões. Desta vez, apenas duas empresas participaram da disputa, ampliando ainda mais os questionamentos sobre competitividade.

Embora não conste impugnação formal acolhida neste certame, a licitação ocorre após um histórico recorrente de questionamentos técnicos apresentados por concorrentes em processos anteriores, todos relacionados a exigências do edital e ao desenho técnico das contratações.

 

Oposição quer esclarecimentos


Para o deputado estadual Arilson Chiorato, líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, que afirma que a sequência de fatos exige esclarecimentos imediatos. “Quando uma empresa indiretamente ligada ao sócio do irmão do governador vence contratos milionários em disputas com pouca concorrência, é legítimo que o governo preste esclarecimentos à sociedade”, afirmou. Segundo ele, a discussão ultrapassa a legalidade formal e entra no campo ético, já que envolve recursos públicos e decisões administrativas de alto impacto. 

A reportagem, embora tenha partido de uma denúncia da oposição na Alep, é resultado de apuração da equipe da Gazeta do Paraná, que teve acesso aos editais, atas, julgamentos e documentos completos de todos os processos licitatórios mencionados, além de realizar pesquisa junto à Receita Federal para identificar os vínculos societários citados, com base exclusivamente em documentos oficiais e registros públicos verificáveis.


Veja aqui a documentação que comprova as informações mencionadas na matéria.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp