TCDF bloqueia até R$ 2,7 bilhões de cinco ex-dirigentes do BRB
Medida cautelar foi tomada no processo que apura operações do banco público com o Banco Master; ex-dirigentes terão 30 dias para apresentar defesa e bloqueio poderá ser ampliado para outros envolvidos
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou, por unanimidade, o bloqueio de bens de cinco ex-dirigentes do Banco de Brasília (BRB) até o limite de R$ 2,76 bilhões. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (23), em sessão reservada, durante a apuração das operações realizadas pelo banco público com o Banco Master.
O valor exato estabelecido pelo tribunal é de R$ 2.761.749.206,55. A medida tem caráter cautelar e foi determinada pelo prazo de um ano. Os ex-dirigentes terão 30 dias para apresentar manifestação.
Segundo o TCDF, o bloqueio tem como objetivo preservar recursos para um eventual ressarcimento aos cofres públicos caso sejam confirmados prejuízos relacionados às operações investigadas.
A decisão também determinou a conversão do processo em Tomada de Contas Especial, procedimento usado para apurar responsabilidades e possíveis danos ao patrimônio público.
Quem teve os bens bloqueados
A medida atinge o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outros quatro ex-dirigentes:
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Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de Finanças e Controladoria;
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Robério Cesar Bonfim Mangueira, ex-superintendente de Operações Financeiras;
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Wily da Silva Leão, que integrou a Superintendência de Operações Financeiras;
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Marcelo Talarico, ex-presidente do Conselho de Administração.
O bloqueio não significa que os cinco tenham patrimônio equivalente a R$ 2,7 bilhões. O valor representa o limite global estabelecido para a medida cautelar.
O tribunal determinou ainda uma instrução prioritária do processo para avaliar se o bloqueio deverá ser estendido a outras pessoas envolvidas, caso novas diligências confirmem os indícios já apontados.
Auditoria do BRB será enviada ao tribunal
O TCDF também determinou que o BRB encaminhe, em até 24 horas, o relatório produzido por uma auditoria independente contratada para analisar os prejuízos relacionados aos negócios com o Banco Master.
O tribunal também deu 15 dias para que o BRB apresente documentos e esclarecimentos sobre os fatos apontados na representação do Ministério Público de Contas do Distrito Federal.
A Corte ainda determinou que o atual diretor-presidente do banco apresente, em até 30 dias, justificativas sobre o descumprimento de uma determinação anterior relacionada ao envio de informações.
BRB está sob investigação no caso Master
As operações do BRB com o Banco Master estão no centro de uma série de investigações. O caso também é apurado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações divulgadas no processo, há suspeitas relacionadas à compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. Os valores envolvidos nas operações investigadas ultrapassam R$ 12 bilhões. O tamanho efetivo de eventual prejuízo ainda é objeto de apuração.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 por problemas relacionados à sua situação financeira e por indícios de práticas de gestão fraudulenta, conforme consta no material sobre o caso.
As suspeitas envolvendo os ex-dirigentes ainda serão analisadas no processo. A medida determinada pelo TCDF é cautelar e não representa uma decisão definitiva sobre eventual responsabilidade ou dano aos cofres públicos.
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