Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida entra na campanha eleitoral
Requião Filho e Gleisi defendem título de Padroeira do Brasil, enquanto Flávio Bolsonaro nega apoiar mudança; projeto citado nas redes é de 2007 e foi arquivado pela Câmara em 2008
A polêmica envolvendo o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil entrou na campanha eleitoral nesta sexta-feira (25). O tema ganhou força nas redes sociais e passou a ser explorado por candidatos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) negou ter relação com um antigo projeto que previa alterar a forma como a santa é mencionada na legislação brasileira.
No Paraná, o candidato ao governo Requião Filho e a candidata ao Senado Gleisi Hoffmann se manifestaram em defesa do título de Nossa Senhora Aparecida e da liberdade religiosa.
A repercussão aumentou depois que informações sobre um projeto apresentado em 2007 passaram a circular associadas a Flávio. A proposta, porém, não é de autoria do candidato e foi arquivada pela Câmara dos Deputados em 2008.
O projeto foi apresentado pelo então deputado federal Victório Galli. O texto pretendia substituir, na legislação que trata do feriado de 12 de outubro, a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
Galli posteriormente foi nomeado assessor especial da Presidência da República durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2019. Essa ligação passou a ser usada nas publicações que relacionaram o antigo projeto à candidatura de Flávio.
Requião Filho e Gleisi se manifestam
Requião Filho publicou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e defendeu o respeito à diversidade religiosa.
“O Paraná que cuida também defende a diversidade religiosa e a fé de cada brasileiro. Não podemos permitir que projetos como esse ganhem o Congresso. Que Nossa Senhora Aparecida continue abençoando o Brasil!”, escreveu o candidato.
A publicação também relacionou o episódio à disputa eleitoral no Paraná e citou os candidatos Sergio Moro e Sandro Alex.
Gleisi Hoffmann também se manifestou sobre o assunto. A candidata ao Senado afirmou que o Brasil convive com diferentes religiões e defendeu o respeito à fé dos brasileiros.
“Proteger todas as religiões é proteger o direito sagrado de cada brasileiro exercer a sua fé. Respeitar o sagrado do outro é proteger a nossa própria humanidade”, escreveu.
As manifestações dos dois candidatos ocorreram em meio à repercussão nacional do tema nas redes sociais.
Flávio nega relação com projeto
Flávio Bolsonaro afirmou que não apoia a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.
“É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil”, declarou.
Em outra manifestação, o candidato afirmou que a informação é falsa e disse que não existe atualmente um projeto de sua autoria ou de seu apoio com esse objetivo.
A campanha de Flávio também apresentou uma notícia-crime à Procuradoria-Geral Eleitoral para pedir investigação sobre a disseminação das publicações que associam o candidato à retirada do título de Padroeira do Brasil. A defesa sustenta que a informação é falsa e que as publicações têm potencial de influenciar o eleitorado.
A GloboNews também se retratou após um comentário exibido no programa Em Pauta ser associado à informação de que haveria uma mobilização para retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil. O canal afirmou que a informação havia sido distorcida nas redes.
Projeto foi apresentado em 2007
A proposta citada nas publicações que viralizaram é o Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado por Victório Galli, então deputado federal pelo Mato Grosso.
O texto pretendia alterar a legislação referente ao feriado de 12 de outubro para substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O projeto foi arquivado pela Câmara em agosto de 2008. Portanto, não se trata de uma proposta apresentada agora durante a campanha eleitoral de 2026.
Galli, atualmente candidato a deputado federal pelo PP de Mato Grosso, afirmou que a proposta não tinha como objetivo ofender católicos. Segundo ele, a intenção era retirar da legislação uma obrigação relacionada ao culto de imagens, por considerar que o Estado brasileiro é laico.
A associação entre o projeto antigo e Flávio Bolsonaro ocorre principalmente pela relação política de Galli com o grupo bolsonarista e pela nomeação dele para um cargo no governo Jair Bolsonaro em 2019. Não há, no projeto de 2007, autoria ou assinatura de Flávio Bolsonaro.
Repercussão nas redes
O tema teve forte crescimento nas redes sociais durante a quinta e a sexta-feira.
Levantamento da Palver divulgado pelo UOL registrou que as referências ao assunto passaram de uma média de cerca de 40 para 735 menções a cada 100 mil mensagens analisadas. Em grupos de WhatsApp e Telegram, o pico chegou a 15 menções a cada 100 mil mensagens.
A repercussão também chegou à Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio pediu investigação sobre as publicações que atribuíam ao candidato a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
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