Meta desabilita anúncios de Lula no Facebook a 10 dias da eleição
Conta usada pela campanha para publicidade eleitoral foi restringida na quarta-feira (23) e normalizada no mesmo dia; equipe de Lula recorreu e cobra explicações da empresa
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A Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, desabilitou a conta usada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para anúncios no Facebook a dez dias do primeiro turno das Eleições 2026.
A restrição ocorreu na quarta-feira (23). A campanha apresentou um recurso à empresa nesta quinta-feira (24), alegando que a medida não foi acompanhada de uma justificativa. A conta de anúncios foi normalizada no mesmo dia, e a equipe de Lula aguarda uma explicação da Meta sobre o motivo do bloqueio.
A empresa não havia informado publicamente qual regra teria sido violada ou qual conteúdo teria provocado a restrição. Procurada pela imprensa, a Meta também não apresentou, até a publicação das informações, uma justificativa detalhada para a medida.
No recurso, a campanha pediu o restabelecimento da conta utilizada para veicular e promover os anúncios oficiais e solicitou que a decisão fosse submetida a uma revisão humana. A equipe também pediu a preservação dos registros digitais relacionados à conta.
Campanha questiona decisão
A equipe jurídica de Lula classificou a desabilitação como unilateral e sem justificativa objetiva. O PT afirmou que a medida poderia prejudicar a estratégia de comunicação da campanha na reta final da eleição.
O partido também não descarta recorrer à Justiça Eleitoral caso a questão não seja esclarecida ou resolvida pela plataforma. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a legenda avalia inclusive um possível acionamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
As alegações do partido sobre eventual favorecimento a adversários são uma interpretação da campanha e não foram confirmadas pela Meta ou pela Justiça Eleitoral.
Relação entre Meta e governo Trump
O episódio ocorre em meio a um histórico de tensão entre o governo brasileiro e grandes empresas de tecnologia sobre a regulação das plataformas digitais.
Em janeiro de 2025, após o início do segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, o presidente da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou mudanças na política da empresa e afirmou que a companhia trabalharia com o governo norte-americano para pressionar países que, segundo ele, estariam perseguindo empresas dos Estados Unidos.
No Brasil, o governo Lula defende medidas para ampliar a regulação econômica das grandes plataformas de tecnologia. O tema tem provocado discussões entre autoridades brasileiras, empresas do setor e o governo norte-americano.
A posição política da Meta em relação à regulação das plataformas, porém, não estabelece, por si só, relação entre essas discussões e a restrição temporária da conta de anúncios de Lula.
Conta foi normalizada
A conta de anúncios foi normalizada no mesmo dia em que a campanha apresentou o recurso. A equipe do candidato ainda aguarda informações da Meta sobre o que provocou a desabilitação.
A campanha considera o episódio relevante por ter ocorrido a dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. A Meta não informou, até o momento, qual regra teria motivado a restrição nem apresentou publicamente detalhes sobre o procedimento que levou à desabilitação.
O caso ocorre durante um período de forte utilização das redes sociais pelas campanhas eleitorais, que usam as plataformas para divulgação de conteúdos e anúncios direcionados aos eleitores.
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