Fux suspende decisão de Dino e manda retirar posts sobre Nossa Senhora
Ministro do STF restabeleceu, provisoriamente, ordem de André Mendonça para remoção de publicações que associam Flávio Bolsonaro a suposto ataque à padroeira do Brasil
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta segunda-feira (28) a decisão do ministro Flávio Dino que havia autorizado a permanência na internet de publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Com a decisão, volta a valer, provisoriamente, a ordem do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a retirada das publicações. Fux também estabeleceu que a questão seja analisada pelo plenário do STF.
A decisão de Fux ocorreu depois que a defesa de Flávio Bolsonaro recorreu ao Supremo para suspender a determinação de Dino. O caso envolve uma postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida.
Fux afirmou que não analisou, neste momento, o mérito sobre uma eventual violação à liberdade de expressão. Segundo o ministro, essa avaliação deverá ser feita pelo plenário da Corte.
A decisão ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Postagem foi retirada por decisão do TSE
O caso começou depois que passaram a circular nas redes sociais informações de que grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defenderiam a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição de Padroeira do Brasil. O candidato nega a informação.
A campanha de Flávio acionou a Justiça Eleitoral e afirmou que as publicações eram inverídicas e continham discurso de ódio e imputação de crime.
No TSE, André Mendonça determinou a retirada de uma publicação feita por Antonio Tabet e de conteúdos semelhantes que associassem Flávio Bolsonaro à suposta mudança da condição de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.
A decisão previa multa diária de R$ 30 mil em caso de descumprimento.
Entre as publicações retiradas estava uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada da frase atribuída a Tabet: “a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
Dino liberou publicação
No domingo (27), Flávio Dino atendeu a um pedido de Tabet e determinou o restabelecimento da publicação.
Dino argumentou que não era possível identificar, de forma inequívoca, Flávio Bolsonaro como integrante da chamada “família miliciana”. Para o ministro, a retirada da postagem sem uma análise mais aprofundada representaria uma restrição à liberdade de expressão.
Dino também enviou a própria decisão para análise do plenário do STF. O ministro pediu que os demais integrantes da Corte avaliem a medida.
Fux cita proximidade das eleições
Ao suspender a decisão de Dino, Fux destacou a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais.
O ministro afirmou que a análise do caso deve considerar a decisão anteriormente tomada pela Justiça Eleitoral e questionou a possibilidade de o Supremo determinar a divulgação de uma informação que considere comprovadamente falsa.
“Faz sentido que este Supremo Tribunal Federal determine a veiculação de notícia comprovadamente falsa? Não!”, escreveu Fux.
A decisão de Fux tem caráter provisório. O plenário do STF ainda deverá analisar o caso.
Presidente do TSE reclama de interferência
Também na segunda-feira (28), o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, enviou um ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para manifestar preocupação com o que classificou como “indevida sobreposição de competência” em decisões relacionadas à Justiça Eleitoral.
A manifestação ocorreu depois da decisão de Dino que derrubou a determinação de Mendonça.
Nunes Marques afirmou que episódios desse tipo interferem na condução das eleições pelo TSE e defendeu mudanças na tramitação de processos no Supremo para evitar que decisões da Justiça Eleitoral sejam derrubadas por decisões individuais de ministros do STF.
O caso, portanto, envolve decisões sucessivas de ministros do TSE e do STF sobre a retirada e o restabelecimento de publicações nas redes sociais em um período próximo ao primeiro turno das eleições.
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