Assembleia aprova mudança nas custas judiciais do Paraná e texto volta à CCJ após emenda
Projeto do TJPR moderniza regras de cobrança, prevê nova metodologia para custas e divide opiniões entre deputados
A Assembleia Legislativa do Paraná aprovou, em primeiro turno, o projeto do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) que atualiza as regras de cobrança das custas judiciais no Estado. A proposta, identificada como PL 736/2025, recebeu 28 votos favoráveis e 9 contrários na sessão desta segunda-feira (1º). Na votação extraordinária do mesmo dia, o texto foi modificado por emenda e voltou para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O Tribunal argumenta que a legislação em vigor, de 1970, não acompanha as mudanças tecnológicas e processuais dos últimos anos, especialmente após a digitalização dos processos. O novo modelo concentra a cobrança das custas principais no início da ação, prevê a quitação das custas complementares antes da sentença e reorganiza a cobrança durante o cumprimento de sentença, exceto quando houver cumprimento voluntário. A avaliação do TJ é que a reformulação reduz interrupções, melhora o andamento das ações e otimiza o uso de pessoal e estrutura.
Segundo um levantamento técnico apresentado pelo próprio Tribunal, 73% dos mais de 208 mil processos que recolheram custas em 2023 teriam valores iguais ou menores com o novo sistema. O TJ afirma ainda que a mudança reforça o Fundo da Justiça (FUNJUS) e é fundamental para a ampliação dos serviços judiciais e para o processo de estatização do foro judicial. O projeto teve aval do Órgão Especial do Tribunal.
A desembargadora Lidia Maejima, presidente do TJPR, defende que a atualização é necessária para garantir eficiência e sustentabilidade. Em nota, ela afirmou que a proposta “moderniza e racionaliza o sistema de custas judiciais, fortalece o financiamento da Justiça e permite avançar na estatização do foro, ampliando o acesso ao Judiciário”.
VEM PRO YOUTUBE DA GAZETA DO PARANÁ
•GEC #111 – Análise do TETRA do Flamengo na Libertadores!
•GERAÇÃO JOVEM #45 – ANA GROSSI | Andreo Eliezer Fontana: A força da juventude na vida pública
•PURGATÓRIO | Disciplina, técnica e afeto: conversa com o adestrador Jeferson Deobald Lima
Divergências durante a votação
O texto dividiu opiniões no plenário.
O deputado Requião Filho (PDT) votou contra e afirmou que a proposta é inconstitucional. Ele criticou a previsão de reajustes automáticos e disse que o Legislativo estaria abrindo mão de suas atribuições. “O projeto permite que a presidência do Tribunal atualize e reajuste custas por conta própria. A Assembleia perde a prerrogativa de deliberar sobre isso. É um absurdo”, declarou.
Já o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) destacou que o texto foi construído após diálogo com a presidência do TJ e com a OAB Paraná. Ele afirmou que a proposta difere das discussões sobre custas extrajudiciais, relacionadas aos cartórios, e reforçou que existe um dispositivo prevendo reajuste limitado pela inflação durante quatro anos. Para Romanelli, a medida é parte da transição necessária para a estatização do foro.
LEIA TAMBÉM:
•TJPR aprova reajuste para serviços oferecidos em cartórios
•Tribunal de Justiça aprova mudanças em custas judiciais
•Projetos do TJ reajustam custas judiciais e taxas de cartórios no Paraná em até 647%
•Projeto do TJ-PR que aumenta custas judiciais e cartoriais provoca reação de entidades no Paraná
O líder do Governo, Hussein Bakri (PSD), explicou que o reajuste automático previsto é de 0,1%, seguindo recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e que vale apenas pelo período de transição.
O presidente da Assembleia, Alexandre Curi (PSD), também defendeu o projeto. Ele afirmou que o Legislativo não perde autonomia e que o objetivo do texto é viabilizar uma determinação do CNJ para estatizar os cartórios judiciais dentro de um prazo de quatro anos. “Depois desse período, qualquer alteração voltará a ser analisada e votada pela Assembleia”, disse.
Curi ainda informou que o PL 737/2025, que trata dos emolumentos dos serviços notariais e de registro, não avançará este ano, já que não houve consenso entre os parlamentares, o G7, a OAB e representantes do setor produtivo.
Matérias relacionadas
Tércio Tinoco intensifica campanha na reta final e reforça bandeira da inclusão no RN
Caso dos vídeos com IA de Sandro Alex e Ratinho Junior chega ao TSE após TRE barrar recursos
MPPR investiga possível lançamento irregular de esgoto em arroio de Ponta Grossa
MP pede retirada de vídeo com Ratinho Junior que exalta gestão e rebate críticos em período eleitoral
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.