Claudia Raia leva a vida de Tarsila do Amaral aos palcos do Teatro Guaíra
Musical “Tarsila, a Brasileira” chega a Curitiba na próxima semana e revisita a trajetória da artista que ajudou a transformar a arte brasileira no século XX
A trajetória de uma das maiores artistas do modernismo brasileiro vai ganhar os palcos de Curitiba na próxima semana. Entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro, o Teatro Guaíra recebe o musical “Tarsila, a Brasileira”, protagonizado por Claudia Raia. A montagem apresenta a vida e a obra da pintora Tarsila do Amaral, personagem fundamental da Semana de Arte Moderna e da construção de uma identidade artística brasileira.
Com música, dança e interpretação, o espetáculo percorre diferentes momentos da vida da artista, desde sua formação e experiências na Europa até a participação nos movimentos culturais que transformaram a produção artística nacional. A proposta é aproximar o público de uma mulher que rompeu convenções estéticas e sociais em uma época marcada por restrições à presença feminina no ambiente intelectual.
Claudia Raia interpreta Tarsila, enquanto Jarbas Homem de Mello assume o papel do escritor Oswald de Andrade, com quem a pintora viveu uma relação amorosa e intelectual que marcou o modernismo brasileiro. O relacionamento entre os dois integra a narrativa do espetáculo, que também aborda as amizades, os conflitos e as transformações pessoais da artista.
A montagem utiliza diferentes linguagens cênicas para representar o universo visual de Tarsila, reconhecida por suas cores intensas, formas geométricas e referências à paisagem e à cultura brasileira. A intenção é transportar para o teatro elementos que fizeram de suas pinturas algumas das imagens mais conhecidas da arte nacional.
Uma artista que ajudou a reinventar o Brasil
Nascida em 1886, no interior de São Paulo, Tarsila do Amaral pertenceu a uma geração de artistas que buscou romper com os padrões acadêmicos e construir uma linguagem estética vinculada à realidade brasileira. Sua produção se desenvolveu em diálogo com as vanguardas europeias, especialmente o cubismo, mas adquiriu características próprias ao incorporar referências populares, rurais e urbanas do país.
Embora não tenha participado diretamente da Semana de Arte Moderna de 1922, realizada enquanto estava na Europa, Tarsila se aproximou dos principais nomes do movimento após retornar ao Brasil. Ao lado de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Anita Malfatti e Menotti Del Picchia, integrou o chamado Grupo dos Cinco, que teve papel importante na consolidação do modernismo.
Entre suas obras mais conhecidas está “Abaporu”, pintada em 1928 e oferecida como presente de aniversário a Oswald de Andrade. A pintura, que representa uma figura humana de proporções incomuns, tornou-se inspiração para o Manifesto Antropófago, no qual Oswald defendia a assimilação crítica de influências estrangeiras para produzir uma cultura brasileira original.
A artista também criou pinturas emblemáticas como “A Negra”, “Operários” e “Antropofagia”, trabalhos que revelam diferentes fases de sua trajetória. Enquanto algumas obras exploram elementos da natureza, do imaginário popular e das paisagens nacionais, outras incorporam preocupações sociais e representações do mundo do trabalho.
Essa diversidade ajuda a explicar a permanência de Tarsila como referência para artistas, pesquisadores e educadores. Mais de um século depois do surgimento do modernismo, sua produção continua presente em exposições, livros didáticos e debates sobre identidade cultural.
Claudia Raia e a presença feminina na arte
A escolha de Claudia Raia para interpretar Tarsila aproxima duas trajetórias femininas de grande projeção em suas respectivas áreas. Com uma carreira construída na televisão, no cinema e no teatro musical, a atriz assume o desafio de representar uma personalidade que enfrentou os padrões de seu tempo para afirmar uma linguagem artística própria.
A montagem também permite revisitar o papel das mulheres na história cultural brasileira. Embora Tarsila tenha alcançado reconhecimento internacional, sua trajetória foi atravessada por relações pessoais, disputas intelectuais e dificuldades comuns às mulheres que buscavam autonomia profissional e artística no início do século XX.
Ao colocar a pintora no centro da narrativa, o musical recupera não apenas seus relacionamentos com figuras importantes do modernismo, mas também sua produção individual e sua contribuição para a renovação das artes visuais.
O espetáculo integra a programação cultural do Centro Cultural Teatro Guaíra e representa uma oportunidade para o público paranaense conhecer uma interpretação cênica da vida de uma das principais artistas brasileiras.
Serviço
Espetáculo: “Tarsila, a Brasileira”
Local: Teatro Guaíra – Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão), Curitiba
Datas: de 29 de outubro a 1º de novembro de 2026
Informações sobre horários, ingressos e disponibilidade devem ser consultadas nos canais oficiais do Teatro Guaíra e da produção do espetáculo.
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