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PodParaná #103: Quem foi João Turin, considerado um dos maiores nomes do movimento paranista

Por Giuliano Saito


Artista renomado com mais de 400 obras catalogadas ajudou a construir símbolos reconhecidos até hoje como "a cara" do Paraná. Em 1927, quase 170 anos após o Paraná se emancipar de São Paulo, dizer qual era a "cara" do estado não era uma tarefa fácil. Em um momento em que a população ainda buscava uma identidade própria, um nome se sobressaiu ao utilizar a arte para tentar resolver a questão: João Turin. Artista responsável por obras que rodaram o Paraná e o mundo, Turin é considerado um dos grandes nomes do Paranismo, movimento político e artístico que buscava contribuir com a formação da identidade paranaense. João Turin nasceu em 1878, em Morretes Reprodução/Memorial Paranista Entre os artistas que integraram o movimento, Turin segue tendo grande reconhecimento mesmo mais de 70 anos após a morrer. O artista foi responsável pela criação de mais de 400 obras catalogadas, entre esculturas, bustos, estátuas, baixos-relevos, pinturas, mobiliários e outros. MAPA: Veja onde contemplar obras de João Turin em locais públicos de Curitiba O episódio #103 do PodParaná. é dedicado aos trabalhos do artista e a explicar as marcas deixadas por Turin na história da arte paranaense. PodParaná Artes/g1 Paraná Participam deste episódio: Felipe Zem: mediador, produtor cultural e coordenador de ação de educação do Memorial Paranista; Geraldo Leão: artista, doutor em história e professor do departamento de artes da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Você pode ouvir o PodParaná no g1, no Spotify, no Castbox, na Amazon, no Google Podcasts, no Apple Podcasts, no Deezer, no Hello You ou no aplicativo de sua preferência. Assine ou siga o PodParaná, para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. A maior parte dos trabalhos de Turin está em Curitiba. Algumas obras estão em logradouros públicos, mas a maioria está no Memorial Paranista, no Parque São Lourenço. Outras obras conhecidas de Turin estão no interior do estado, no Rio de Janeiro e em países da Europa, como a França - um dos pontos de passagem de quando ele viveu no exterior. Turin ficou fora do Brasil por 15 anos. João Turin em seu ateliê, na França Reprodução/Acervo joaoturin.com.br Nascido em Morretes, no litoral do Paraná, João Turin veio de uma família humilde. Aos 9 anos se mudou para Curitiba e na infância brincava cobrindo a perna, tronco e braços com argila para fazer moldes. Para chegar a ser o artista que foi, dependeu de muitas oportunidades. Uma bolsa de estudos do Governo do Paraná foi uma das principais. Em 1905 ele vai para a Europa estudar na Real Academia de Belas Artes. Anos depois, volta para o Brasil e conquista espaço pouco a pouco, mesclando trabalhos sob encomenda e obras próprias, feitas em gesso e depois fundidas em bronze. "Ele cita claramente, tem textos dele dizendo, que o artista sempre precisou de patronos, se não houvesse os medisses não haveria renascimento. Ele justifica a relação dele, e que é perfeitamente natural, de um artista que precisa de quem possibilite ele trabalhar", explica o artista, professor doutor em história e professor do departamento de artes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Geraldo Leão. Obras O mediador, produtor cultural e coordenador de ação de educação do Memorial Paranista, Felipe Zem, detalha que uma das características que trouxe destaque à Turin foi o trabalho com animalismo. Entre as obras mais conhecidas do artista está o Luar do Sertão, que retrata uma grande onça rugindo para o céu. A obra está na rotatória da Avenida Cândido de Abreu, no Centro Cívico, em Curitiba. "Animalismo enquanto gênero das artes é um termo muito moderno, claro que existem representações na arte desde a primeira vez que alguém resolveu desenhar um bisão na parede de uma caverna... Mas criar uma obra de arte, esse objeto que a gente encara hoje como um objeto de contemplação, de apreciação, no qual um animal fosse o centro da cena, protagonista, e não uma montaria, uma caça, uma alegoria... E que recebesse o mesmo tratamento que uma figura humana". Luar do Sertão Reprodução/Acervo joaoturin.com.br O movimento e contestações O Paranismo começou em 1927, idealizado pelo escritor e político Romário Martins. O movimento foi definido por meio do Manifesto Paranista, publicado após a fundação do Centro Paranista. O documento buscava a participação coletiva de artistas e da sociedade, mas em diversos trechos traz pontos que, anos depois, foram considerados excludentes. O movimento foi contestado pela geração seguinte de artistas, especialmente após o fim da Segunda Guerra. O professor Geraldo Leão explica que algumas contestações ao paranismo surgiram porque, à época, o movimento era alinhado com linhas políticas conservadoras. "O Paranismo, pelo momento em que acontece e pela ligação com os patronos, que eram paranaenses tradicionais, é muito mais ligado às correntes conservadoras do começo do século e a partir dos anos 1920, a parte da direita, como o fascismo [...] Ninguém sabia o que era o fascismo ou nazismo de verdade naquela época, a gente só via propaganda positiva, o fascismo é a mesma coisa [...] Era o conhecimento que se tinha". Curiosidades A pedido do g1, o Setor de Pesquisa e Patrimônio Histórico da Fundação Cultural de Curitiba (FCC) listou curiosidades da vida do artista. Confira abaixo: Às sextas-feiras, Turin costumava sair com os amigos pintores Lange de Morretes, Theodoro De Bona ou Guido Viaro, dos quais herdou certa influência no esquema cromático e composicional. João Turin era amigo de Victor Brecheret, artista responsável pelo Monumento às Bandeiras em São Paulo. Ambos se conheceram na Europa. Quando Turin retorna ao Brasil, deixa seu atelier e suas obras em Paris com Brecheret. Para ampliar a área de criação e difusão dos temas paranistas, Turin estendeu as próprias habilidades ao design, concebendo uma série de objetos que vão de utilitários a desenhos de moda. Turin também se dedicou à arquitetura, projetando um repertório ornamental composto de estilizações de motivos da flora paranaense sendo os símbolos principais o pinheiro, a pinha e o pinhão. Frisos, colunas, capitéis e detalhes para mobiliário, ilustrados com figuras indígenas e elementos da fauna e da flora regional, também marcam presença nas obras. O PodParaná tem episódios semanais que contam a história de moradores do estado e tratam de temas importantes para os paranaenses. Para sugerir temas e interagir com a equipe, os ouvintes podem usar o aplicativo Você na RPC. VÍDEOS: mais assistidos do g1 PR Veja mais episódios na página especial do PodParaná.