Dia Mundial da Alimentação destaca protagonismo do Brasil na produção de alimentos
Em sessão no Congresso, parlamentares defenderam investimentos em crédito rural, infraestrutura e regularização fundiária para fortalecer a produção e ampliar o acesso a alimentos de qualidade
O papel do Brasil na segurança alimentar mundial e os desafios para garantir o abastecimento interno foram temas de uma sessão solene realizada nesta terça-feira (13), no Congresso Nacional, em homenagem ao Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro. Parlamentares e representantes do setor agropecuário destacaram a importância da ciência, da tecnologia e dos investimentos na produção rural, além de defenderem políticas públicas para ampliar o acesso da população a alimentos de qualidade.
De acordo com dados da plataforma Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações brasileiras do setor agropecuário somaram US$ 133,6 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 5,5% em comparação com o mesmo período de 2025. Os números reforçam a participação do país no abastecimento de mercados internacionais.
A sessão foi realizada em referência à data instituída pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que busca conscientizar sobre a necessidade de combater a fome e garantir o acesso regular a alimentos seguros e nutritivos.
A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), destacou o tema deste ano, “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, e atribuiu o avanço da produção brasileira aos investimentos em pesquisa e tecnologia.
Segundo a parlamentar, a agricultura tropical brasileira demonstra como a inovação científica transformou o país em uma das principais potências mundiais na produção e exportação de alimentos. Ela também ressaltou a importância de conciliar o crescimento produtivo com a preservação ambiental.
O senador Jayme Campos (União-MT) também destacou a força do agronegócio brasileiro e a contribuição dos produtores para a economia nacional. Para ele, a combinação entre trabalho, pesquisa, tecnologia e empreendedorismo consolidou a posição do Brasil no mercado internacional de alimentos.
Durante a solenidade, o 1º vice-presidente de Finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Humberto Miranda, apresentou dados sobre a evolução da oferta de alimentos no país. Segundo ele, o consumo diário de proteínas animais passou de 15 gramas por habitante, em 1983, para 256 gramas, em 2023.
Miranda atribuiu esse avanço ao trabalho de mais de 5 milhões de produtores rurais brasileiros, que contribuem para ampliar a disponibilidade de alimentos.
O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), João Dornellas, informou que o setor produziu mais de 288 milhões de toneladas de alimentos em 2025. Segundo ele, a indústria processa 62% da produção da agropecuária nacional e cerca de 69% do que é produzido pela agricultura familiar.
Crédito rural e regularização fundiária entram no debate
Além de ressaltar a relevância da produção brasileira, os parlamentares defenderam medidas para melhorar as condições de trabalho no campo e ampliar a capacidade produtiva do setor.
Tereza Cristina cobrou a ampliação do acesso ao crédito rural, com condições de financiamento compatíveis com a realidade dos produtores, além de investimentos em infraestrutura e assistência técnica.
A senadora afirmou que o poder público tem responsabilidade na criação de condições para que os alimentos cheguem à mesa dos brasileiros em quantidade suficiente, com qualidade e preços acessíveis. Na avaliação dela, o fortalecimento da produção depende de políticas que permitam aos produtores investir e modernizar suas atividades.
A regularização fundiária também foi apontada como um dos principais desafios. Jayme Campos criticou a demora na emissão de documentos que comprovem a propriedade ou o direito de uso da terra, situação que, segundo ele, dificulta o acesso de produtores ao sistema financeiro.
O senador citou casos de famílias que vivem há décadas em propriedades rurais sem documentação definitiva. Sem esses registros, muitos produtores enfrentam dificuldades para obter financiamentos bancários, investir na atividade e melhorar as condições de produção.
Para os parlamentares, a ampliação do crédito, a melhoria da infraestrutura e a regularização das terras são medidas importantes para fortalecer o campo, estimular a produção e contribuir para a segurança alimentar.
O debate no Congresso reforçou a relação entre o desempenho do agronegócio brasileiro e a necessidade de políticas que garantam condições para produzir, distribuir e ampliar o acesso da população aos alimentos.
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