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Fim da escala 6x1 pode elevar custos em R$ 267 bilhões, diz CNI

Entidades da indústria, comércio e construção alertam para alta de custos e preços após aprovação da jornada de 40 horas pelo Senado

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
CNI prevê R$ 267 bilhões em custos e alta de preços
CNI prevê R$ 267 bilhões em custos e alta de preços — Crédito: Augusto Coelho / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança pode elevar os custos de produção em R$ 267,2 bilhões. A entidade também calcula um aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor.

O levantamento aponta ainda uma possível redução de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 76,9 bilhões. Os produtos industrializados poderiam subir 6%, enquanto roupas e calçados teriam alta estimada de até 6,6%. Para os supermercados, a previsão é de aumento médio de 5,7%.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, criticou a aprovação da proposta sem uma discussão mais ampla sobre os efeitos econômicos. Ele defendeu que o Congresso volte a analisar o tema após avaliar os possíveis impactos sobre inflação e competitividade.

Indústria vê risco para empregos e competitividade

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também demonstrou preocupação. A entidade avalia que a redução da jornada sem aumento proporcional de produtividade pode elevar os custos de produtos e serviços.

A federação defende que as jornadas considerem as características de cada atividade e que empresas e trabalhadores mantenham espaço para negociar as condições de trabalho.

Para a entidade, setores como indústria, comércio, serviços e saúde têm necessidades diferentes e não poderiam seguir uma única regra de organização da jornada.

Bares e restaurantes preveem necessidade de mais trabalhadores

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) estima que o fim da escala 6x1 exigirá a contratação de mais trabalhadores para manter o nível atual de atendimento.

Segundo a entidade, cerca de 15 milhões de pessoas trabalham atualmente nesse modelo. A estimativa é de que seriam necessários mais 3 milhões de profissionais para compensar a redução de um dia de trabalho por semana.

Construção prevê impacto em obras e imóveis

Na construção civil, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) alerta que a redução da jornada pode aumentar o prazo de execução de obras e afetar investimentos em infraestrutura e habitação.

A Associação Brasileira das Incorporadoras (Abrainc) estima que a jornada de 40 horas semanais pode elevar em 5,5% os preços dos imóveis.

Um estudo da entidade com a consultoria econômica Ecconit aponta ainda que até 2,5 milhões de famílias poderiam deixar de ter acesso ao financiamento habitacional nesse cenário.

O que prevê a PEC

O Senado aprovou nesta quarta-feira (14), por 75 votos a 1, em dois turnos, a proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de descanso por semana. O texto mantém os salários.

A PEC prevê uma transição de 14 meses. A primeira etapa reduz a jornada em duas horas semanais e começa 60 dias após a promulgação, junto com a adoção dos dois dias de descanso.

A segunda redução de duas horas ocorrerá 12 meses depois da primeira etapa. O texto segue agora para promulgação.

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