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Filipe Barros é eleito senador pelo Paraná

Deputado federal do PL conquista uma das duas vagas paranaenses em disputa no Senado e amplia sua trajetória política iniciada em Londrina

Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Pardal denuncia Filipe Barros por propaganda após 22h,
Pardal denuncia Filipe Barros por propaganda após 22h, — Crédito: Lula Marques / EBC

Filipe Barros (PL) foi eleito senador pelo Paraná neste domingo (4). Deputado federal em segundo mandato, o londrinense conquistou uma das duas cadeiras paranaenses em disputa no Senado e dará um novo salto em uma carreira política construída em apenas dez anos, desde a primeira eleição para vereador de Londrina, em 2016.

A vitória leva Barros para um mandato de oito anos, entre 2027 e 2035, e ocorre em uma eleição particularmente importante para a composição do Senado. Em 2026, dois terços das 81 cadeiras da Casa estão sendo renovados, com cada estado elegendo dois representantes.

No Paraná, a disputa ganhou ainda mais peso porque Flávio Arns e Oriovisto Guimarães, titulares das duas cadeiras que encerram o mandato, não buscaram a reeleição. Com isso, o estado necessariamente teria dois novos senadores a partir do próximo ano. A bancada poderá passar por uma transformação ainda maior porque Sergio Moro (PL), eleito senador em 2022 e com mandato até 2031, deixou a cadeira para disputar o governo estadual. Caso assuma o Executivo, seu suplente, Luis Felipe Cunha, passa a ocupar a vaga no Senado.

De Londrina a Brasília

Natural de Londrina e formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Filipe Barros iniciou sua trajetória eleitoral em 2016. Naquele ano, foi eleito vereador e tornou-se o parlamentar mais jovem daquela legislatura municipal.

A passagem pela Câmara de Londrina durou apenas metade do mandato. Em 2018, Barros disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados e foi eleito deputado federal. Quatro anos depois, conquistou a reeleição e consolidou sua atuação nacional principalmente em pautas identificadas com a direita e com o conservadorismo.

A aproximação com Jair Bolsonaro tornou-se um dos elementos centrais de sua trajetória política. O próprio Barros relatou durante a pré-campanha que Bolsonaro havia anunciado seu nome para a disputa ao Senado. Ao longo de 2026, ele percorreu o Paraná ao lado de Sergio Moro, candidato ao governo, e de Deltan Dallagnol (Novo), que disputou a outra cadeira ao Senado dentro da aliança.

Barros chegou à eleição também inserido em uma estratégia nacional do PL para ampliar sua presença no Senado. A legenda tratou a renovação de dois terços da Casa como uma das prioridades de 2026 e lançou candidatos ligados ao bolsonarismo em diferentes estados.

Uma disputa sem dono

A eleição de Barros encerra uma campanha em que a corrida pelas duas vagas paranaenses permaneceu aberta praticamente até a reta final. Diferentemente da disputa pelo governo, que apresentou uma liderança mais clara durante parte da campanha, as pesquisas para o Senado mostraram um grupo de candidatos muito próximo.

Levantamento da Alfa Inteligência divulgado na quinta-feira (1º) exemplificou esse cenário. Alexandre Curi (Republicanos) aparecia com 30%, Deltan Dallagnol com 26%, Gleisi Hoffmann (PT) com 25% e Filipe Barros com 24%. Considerando a margem de erro de 2,8 pontos percentuais, os quatro estavam tecnicamente empatados.

Outra pesquisa divulgada na mesma semana apresentou configuração diferente. A Neokemp colocou Deltan na frente, com 24,9%, seguido justamente por Filipe Barros, com 23%. Gleisi tinha 15,7%, Alexandre Curi, 12,1%, Dr. Rosinha (PT), 9,7%, e Cristina Graeml (PSD), 8,9%.

As diferenças entre os levantamentos reforçavam o grau de incerteza de uma eleição que, além de oferecer duas vagas, permitia que cada eleitor votasse duas vezes para senador. O resultado deste domingo transforma em mandato uma candidatura que apareceu durante boa parte da campanha no grupo competitivo, mas sem a segurança estatística de uma cadeira garantida.

Senado como próximo passo

Durante a campanha, Barros apresentou a mudança da Câmara para o Senado como oportunidade para atuar em temas nacionais e em pautas diretamente relacionadas às competências constitucionais dos senadores.

Entre as bandeiras apresentadas está uma proposta de reforma do Judiciário. Neste domingo, depois de votar em Londrina acompanhado da família, Barros afirmou que pretende apresentar uma proposta de emenda à Constituição sobre o tema já no início do mandato. Entre as mudanças defendidas por ele estão a exigência de carreira na magistratura e a criação de mandato para ministros de tribunais superiores.

Na pré-campanha, o deputado também havia citado segurança nas regiões de fronteira, combate ao crime organizado, Porto de Paranaguá, infraestrutura, energia, agronegócio e piscicultura entre os temas que pretendia levar ao Senado.

A chegada à Casa também amplia o espaço institucional do parlamentar. Diferentemente da Câmara, cabe exclusivamente ao Senado, entre outras atribuições, analisar as indicações presidenciais para ministros do Supremo Tribunal Federal e autorizar processos de impeachment contra integrantes da Corte, temas que ganharam centralidade no discurso eleitoral de candidatos ligados à direita em 2026.

Dez anos e três casas legislativas

A vitória deste domingo completa uma sequência de ascensão eleitoral rápida. Em uma década, Filipe Barros terá passado pelas três esferas legislativas que disputou: Câmara Municipal de Londrina, Câmara dos Deputados e, agora, Senado Federal.

Eleito vereador em 2016, deputado federal em 2018 e novamente deputado em 2022, Barros chega ao Senado aos 35 anos e troca um mandato de quatro anos na Câmara por uma cadeira que será ocupada até 2035.

A eleição também encerra uma etapa de renovação obrigatória da representação paranaense no Senado. Com Arns e Oriovisto fora da disputa e Moro concorrendo ao governo, a bancada que representará o Paraná em Brasília a partir de 2027 terá uma configuração substancialmente diferente daquela que iniciou a atual legislatura.

Para Filipe Barros, a mudança representa o ponto mais alto, até agora, de uma trajetória eleitoral iniciada em Londrina há apenas dez anos. Da Câmara Municipal à Câmara dos Deputados e agora ao Senado, o parlamentar chega a uma das duas cadeiras mais disputadas da eleição paranaense de 2026.

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