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Debate: Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancário e telefônico, mas senador não aceita proposta

Durante debate da Band, presidente propôs que os dois autorizassem a divulgação de dados das famílias; Flávio respondeu com acusações contra Lula, e o confronto também abordou segurança pública, economia e política externa

Repórter Gazeta do Paraná · · 5 min de leitura
Debate: Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos bancário e telefônico, mas senador não aceita proposta
— Crédito: Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou o senador Flávio Bolsonaro (PL) a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico das respectivas famílias durante o debate presidencial realizado pela Band, ontem (18). O candidato do PL não aderiu à proposta nos termos apresentados pelo adversário e respondeu com novas acusações contra o presidente.

O confronto ocorreu no terceiro bloco do debate e elevou a tensão entre os candidatos, que trocaram declarações sobre corrupção, patrimônio familiar e suspeitas envolvendo pessoas próximas. Lula apresentou a abertura dos sigilos como uma forma de permitir que os eleitores avaliassem as acusações antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

“Eu desafio você de corrupção e eu amanhã abrimos a nossa conta bancária, abrimos nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão desse país”, afirmou Lula.

O presidente propôs que os dois autorizassem a abertura dos dados e entregassem as informações à Justiça. Durante a discussão, insistiu que o adversário deveria demonstrar publicamente que não tinha nada a esconder.

“Flávio, vamos fazer o seguinte, vamos abrir a minha conta e a sua. Vamos abrir, vamos abrir seu celular e a conta bancária”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Ao invés de ficar falando que é honesto, prove que é honesto. Abra a sua conta”.

Flávio não assumiu o compromisso de autorizar a divulgação dos dados. Em resposta, afirmou que Lula teria dinheiro fora das contas declaradas e mencionou suspeitas relacionadas a recursos de um filme e ao Instituto Lula, além de citar uma declaração atribuída ao empresário Daniel Vorcaro.

As declarações foram feitas durante o confronto eleitoral e, por si só, não comprovam irregularidades. O debate terminou sem acordo entre os candidatos sobre a proposta de abertura dos sigilos.
Política externa também entrou no confronto.

Antes de levar a discussão para a corrupção, Lula questionou a posição de Flávio Bolsonaro sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos. O presidente citou a exploração de minerais críticos e terras raras e criticou a proposta de cooperação militar conhecida como Escudo das Américas.

Lula afirmou que a iniciativa poderia subordinar países latino-americanos aos interesses de Washington. Flávio negou ter atuado contra empresas brasileiras e disse que viajou aos Estados Unidos para defender os interesses nacionais.

O senador também acusou o governo federal de não enviar representantes para defender o Brasil no exterior e mencionou organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

A discussão colocou em lados opostos a crítica de Lula à aproximação com os Estados Unidos e a defesa de Flávio de uma cooperação internacional mais ampla no combate ao narcotráfico.

Economia e produtividade
O terceiro bloco começou com uma pergunta sobre como aumentar a produtividade da economia brasileira. Lula defendeu investimentos em inovação industrial, qualificação profissional e modernização de setores estratégicos.

O presidente citou a Nova Indústria Brasil e investimentos em áreas como economia digital, centros de processamento de dados, economia criativa e economia verde. Segundo ele, a preparação dos trabalhadores e o avanço tecnológico são fundamentais para ampliar a produtividade.

Flávio criticou os governos petistas e argumentou que Lula já teve tempo para executar as políticas que apresentou. O senador prometeu um programa de mobilidade social e defendeu ampliar a conectividade entre trabalhadores e empresas, além de facilitar o acesso ao crédito para pequenos empreendedores.

Entre as propostas apresentadas por Flávio está a transformação da Caixa Econômica Federal em um “banco da prosperidade”, com foco em microempreendedores.
Segurança pública gera novos ataques
A segurança pública foi outro tema de confronto. Flávio criticou posições do PT no Congresso e defendeu a castração química para estupradores e a redução da maioridade penal para adolescentes envolvidos em crimes hediondos, retomando a proposta de responsabilização a partir dos 14 anos nesses casos.

Lula respondeu citando medidas relacionadas à proteção de celulares e ao bloqueio de aparelhos por meio do aplicativo gov.br. Também mencionou iniciativas de renegociação de dívidas para micro e pequenos empreendedores.
Flávio voltou a criticar o PT e acusou o partido de mudar o discurso sobre segurança durante a campanha. Lula, por sua vez, defendeu os resultados econômicos de seu governo e mencionou políticas de acesso à universidade.

O senador também apresentou o projeto Smart Brasil, que prevê, segundo sua proposta, a instalação de mais de 1 milhão de câmeras e o uso de inteligência artificial para auxiliar no monitoramento e na prevenção de crimes.
Debate termina em meio a interrupções
A tensão entre os candidatos levou a mediação a interromper a dinâmica do confronto em alguns momentos. O apresentador precisou pedir que os dois aguardassem seus respectivos tempos de fala e orientou a plateia a manter o silêncio.

Nas considerações finais, Lula criticou privatizações de empresas estatais, citando a Eletrobras e a BR Distribuidora, e reafirmou que não pretende privatizar a Petrobras.
Flávio ironizou declarações do presidente e prometeu criar um Ministério da Prosperidade, além de reforçar a segurança nas periferias. O senador também pediu votos para o número 22.

O debate foi marcado por propostas em áreas como economia, segurança pública e relações internacionais, mas as acusações pessoais dominaram parte dos confrontos. O desafio de Lula para que ambos abrissem os sigilos bancário, fiscal e telefônico terminou sem a adesão de Flávio nos termos propostos, e as imputações feitas pelos candidatos não foram acompanhadas, durante o programa, de documentação que comprovasse as acusações.

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