Trump chama liderança de Flávio Bolsonaro de “grande vitória”
Presidente dos Estados Unidos afirmou que vantagem sobre Lula foi apertada, mas classificou o resultado como importante e prevê uma disputa muito acirrada no segundo turno
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou nesta segunda-feira (5) como uma “grande vitória” o resultado de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras. O senador terminou a primeira etapa à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
“É uma grande vitória, bem apertada, mas uma grande, grande vitória. Incrível”, afirmou Trump a jornalistas enquanto deixava a Casa Branca.
O presidente americano também avaliou que o segundo turno será bastante disputado. “Vai ser muito acirrada. Acho que a disputa no Brasil será muito acirrada”, disse.
A nova votação entre Flávio e Lula está marcada para 25 de outubro. A diferença de 1,87 ponto percentual entre os dois candidatos foi a menor registrada entre os primeiros colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.
Trump vinha evitando declarar apoio
Antes da declaração desta segunda-feira, aliados de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos tinham dúvidas sobre uma eventual manifestação pública de apoio de Trump ao candidato.
Na semana passada, uma pessoa ligada à campanha de Flávio afirmou à imprensa que considerava improvável um endosso explícito do presidente americano. A avaliação, porém, levava em conta o comportamento imprevisível de Trump e a possibilidade de ele mudar de posição.
Trump vinha comentando o processo eleitoral brasileiro com cautela. Na semana passada, por duas vezes, disse que estava acompanhando a eleição “muito de perto”, mas não havia citado diretamente nem declarado apoio a Flávio ou Lula.
Governo americano tem posições diferentes sobre o Brasil
Nos bastidores do governo Trump, integrantes nomeados politicamente têm defendido uma postura mais dura em relação ao governo Lula.
Entre os motivos apontados estão divergências ideológicas, críticas ao que integrantes do governo americano classificam como “censura”, a aproximação do Brasil com o Irã e a resistência de Lula a pressões de Trump.
A posição, porém, não é uniforme dentro do governo dos Estados Unidos. Interesses econômicos e estratégicos, principalmente relacionados ao acesso a minerais críticos brasileiros, também pesam nas discussões internas.
Enquanto alguns setores defendem maior pressão política sobre o governo brasileiro, outros demonstram interesse em preservar a cooperação econômica entre os dois países independentemente de quem ocupa o Palácio do Planalto.
Trump confundiu Brasil com Índia
No domingo (4), horas depois do resultado do primeiro turno, Trump publicou uma mensagem em sua rede social Truth Social na qual confundiu o Brasil com a Índia ao comentar a rapidez da apuração.
Na publicação original, o presidente americano escreveu que 125 milhões de pessoas haviam votado no primeiro turno da eleição presidencial da Índia e elogiou a divulgação dos resultados no mesmo dia.
A Índia, porém, não realizou eleições no domingo. Trump posteriormente editou a publicação para fazer referência à eleição presidencial brasileira, sem mencionar o erro. O episódio também foi registrado pela imprensa americana e brasileira.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
A declaração de Trump ocorre em um momento de tensão na relação entre os governos brasileiro e americano.
Nos últimos meses, o governo Lula criticou medidas adotadas pela administração Trump, incluindo tarifas e sanções contra autoridades brasileiras. Entre os episódios citados no texto está o cancelamento, em agosto, do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo americano passaram a acompanhar mais de perto a disputa eleitoral brasileira.
Aliados de Trump também comentaram o resultado do primeiro turno. O ex-estrategista de campanhas do republicano, Jason Miller, parabenizou Flávio Bolsonaro. Deputados republicanos próximos da família Bolsonaro, como Maria Elvira Salazar e Carlos Gimenez, também criticaram Lula ao comentar o desempenho do senador.
Trump Jr. relaciona resultado ao fim da Usaid
Nesta segunda-feira, Donald Trump Jr., filho do presidente americano, também comentou o resultado da eleição brasileira.
Ele relacionou o desempenho da direita na América Latina ao desmonte da Usaid, agência americana de ajuda internacional, durante o segundo mandato de Trump.
“Desde que desmantelamos a Usaid, a esquerda não ganhou uma única eleição presidencial na América Latina”, escreveu nas redes sociais.
Trump Jr. afirmou, sem apresentar evidências, que bilhões de dólares de contribuintes americanos eram destinados a organizações não governamentais, programas de promoção da democracia e redes de ativistas que, segundo ele, apoiavam sempre o mesmo lado político.
O filho do presidente americano classificou essa atuação como “interferência eleitoral” e agradeceu ao empresário Elon Musk, a quem atribuiu papel central nos primeiros esforços do governo Trump para desmontar a estrutura da Usaid.
Musk também comentou a eleição brasileira. Ele compartilhou uma reportagem sobre o Brasil e afirmou que a Usaid teria participado de ações de “interferência eleitoral e mudança de regime” em diferentes países.
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