RESULT

Clima tira 234 mil toneladas da safra de trigo do Paraná e moinhos terão de buscar cereal fora

Produção foi revisada para 2,13 milhões de toneladas e deve ficar 26% abaixo da safra passada; indústria paranaense poderá recorrer ao Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina para garantir abastecimento

Por Gazeta do Paraná

Clima tira 234 mil toneladas da safra de trigo do Paraná e moinhos terão de buscar cereal fora Créditos: Assessoria

O excesso de chuvas e as temperaturas acima da média já deixaram uma conta pesada para a produção de trigo do Paraná. A estimativa para a safra de 2026 foi reduzida de 2,37 milhões para 2,136 milhões de toneladas, uma perda de aproximadamente 234 mil toneladas em relação à projeção anterior.

A revisão, divulgada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, representa uma redução de aproximadamente 10% sobre a estimativa anterior. Na comparação com a safra passada, porém, o recuo esperado é ainda maior: 26%. Além dos problemas climáticos que atingiram as lavouras neste ciclo, os produtores também reduziram a área destinada ao cereal.

A área cultivada está estimada em 727 mil hectares. O impacto mais recente ocorreu sobre a produtividade. A expectativa inicial era de aproximadamente 54 sacas por hectare, mas a projeção caiu para 49 sacas por hectare depois das condições adversas registradas principalmente em agosto e setembro.

 

Chuva atingiu lavouras em momento decisivo

O problema não se limita à quantidade de trigo que será retirada das lavouras. A umidade elevada durante a colheita também pode comprometer a qualidade do cereal, reduzir o peso dos grãos e favorecer doenças.

Quase metade da área paranaense já havia sido colhida nesta semana, mas parte dos trabalhos ocorreu sob condições desfavoráveis devido à sequência de chuvas.

O cenário ocorre em uma safra que já começou menor. Os produtores reduziram o plantio diante dos preços considerados pouco atrativos e das preocupações climáticas. Agora, a perda de produtividade amplia a redução da oferta estadual.

Como a Gazeta do Paraná mostrou no último dia 13, os primeiros resultados da colheita já apontavam produtividade abaixo do esperado e pressão sobre os preços. A nova estimativa do Deral permite agora dimensionar o tamanho da perda.

O Paraná é um dos principais produtores de trigo do Brasil e, além da importância do cereal dentro das propriedades rurais, possui uma indústria moageira de grande peso no mercado nacional.

 

Moinhos terão de buscar trigo fora

A redução da safra começa a produzir outro efeito: a necessidade de buscar trigo fora do Paraná para abastecer os moinhos.

Segundo o Deral, há pouca disponibilidade para abastecimento no mercado local e a oferta de trigo de qualidade é ainda mais restrita. A primeira alternativa deverá ser o Rio Grande do Sul, único estado onde, pelas projeções atuais, a oferta deve superar a demanda.

Quando essa disponibilidade diminuir, a expectativa é de que Paraguai e Argentina ganhem espaço como fornecedores da indústria paranaense. A dependência externa ganha relevância diante do tamanho do setor: em 2025, os moinhos do Paraná responderam por cerca de 30% da produção brasileira de farinha.

A menor disponibilidade ocorre ao mesmo tempo em que as cotações internacionais do trigo avançaram. A combinação entre oferta menor e valorização externa vem sustentando os preços mesmo durante a colheita.

Para o produtor, preços maiores ajudam a compensar parte das perdas provocadas pela redução da produtividade. Para a indústria, entretanto, o movimento significa matéria-prima mais cara e necessidade de procurar cereal em mercados mais distantes.

 

Trigo chega a R$ 84 em Cascavel

No Oeste do Paraná, o trigo estava cotado a R$ 84 por saca de 60 quilos em Cascavel nesta sexta-feira (25), segundo levantamento do Deral. Em Toledo, a cotação era de R$ 80.

No Sudoeste, o cereal chegou a R$ 82 em Francisco Beltrão e Pato Branco. Em Pato Branco, houve alta de 2,5% entre quinta e sexta-feira, quando a cotação passou de R$ 80 para R$ 82.

A redução paranaense ocorre dentro de um cenário nacional igualmente apertado. A estimativa atual é de uma produção brasileira de aproximadamente 5,7 milhões de toneladas de trigo, 27% inferior à da safra anterior. O Deral avalia, entretanto, que sua revisão para o Paraná não deve provocar alteração significativa na projeção nacional da Conab, porque os números da companhia já estavam alinhados à atualização mais recente do Estado.

O comportamento da produção brasileira dependerá agora especialmente do Rio Grande do Sul, que ocupa a liderança nacional e será também uma das principais alternativas para complementar o abastecimento da indústria paranaense.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp